Uma empresa fundada por Eurico Castro Alves, antigo secretário de Estado da Saúde de Pedro Passos Coelho e ex-presidente do Infarmed, esteve envolvida em negociações comerciais com uma sociedade controlada por um empresário brasileiro apontado como membro de topo do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do Brasil.
Segundo revela o jornal Público, a Wise Healthcare Solutions (WiseHS), criada por Eurico Castro Alves em 2016, desempenhou o papel de intermediária entre a SyncNature e a WDealer num projeto de investimento ligado à produção de canábis medicinal.
A WDealer era controlada por Cláudio Rocha Júnior, empresário brasileiro que viria a ser condenado em Portugal a cinco anos de prisão por tráfico de cocaína. Antes disso, em abril de 2022, já tinha sido identificado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal do Brasil como um dos principais integrantes do PCC.
A WiseHS foi criada poucos meses após Eurico Castro Alves abandonar as funções governativas e a presidência do Infarmed, dedicando-se à intermediação de investimentos na área da saúde e da canábis medicinal. Contratada pela SyncNature para acompanhar o desenvolvimento de uma unidade de produção em Oliveira do Bairro, a empresa procurou investidores interessados no projeto, tendo estabelecido contactos com a WDealer, sediada no Porto.
Apesar das negociações, o negócio nunca chegou a ser concretizado. Ainda assim, segundo o Público, os contactos entre as partes remontam a um período anterior a janeiro de 2023.
Entretanto, Cláudio Rocha Júnior foi condenado em julho de 2023 pelo Tribunal de Matosinhos por tráfico de droga. Já antes dessa decisão judicial, era alvo da Operação Descobrimento, investigação conduzida pelas autoridades brasileiras sobre tráfico internacional de cocaína, branqueamento de capitais e envio ilegal de divisas para o estrangeiro.
De acordo com o Ministério Público brasileiro, o empresário integrava o “primeiro escalão” do PCC. A investigação ganhou força após a apreensão de centenas de quilos de cocaína escondidos na fuselagem de um jato privado que se preparava para regressar a Portugal.
Confrontado pelo Público, Eurico Castro Alves reconheceu que a sua empresa falhou ao não verificar previamente a idoneidade da WDealer. No entanto, garante que nunca participou conscientemente em qualquer atividade ilegal nem retirou qualquer benefício pessoal das negociações, atribuindo a sua atuação a relações de amizade e boa-fé.
Redação com jornal Público





