O Fidesz, partido do primeiro-ministro Viktor Orbán, está no centro de uma polémica após publicar um vídeo de campanha gerado por Inteligência Artificial (IA) que mostra a execução de um soldado.
A peça de propaganda, partilhada pela secção de Budapeste do partido, sustenta a narrativa central do governo para as eleições de 12 de abril: a de que os seus adversários pretendem envolver a Hungria no conflito contra a Rússia. O vídeo, com 33 segundos, mostra uma criança a perguntar pelo pai, seguida de imagens que simulam a sua execução na frente de batalha por soldados com uniformes da Segunda Guerra Mundial.
“Um pesadelo preparado por Bruxelas”
A publicação é acompanhada pela frase: “Agora é um pesadelo, mas Bruxelas prepara-se para o tornar realidade”, terminando com o slogan “Fidesz é a escolha segura”.
Péter Magyar, líder do partido da oposição Tisza, reagiu com dureza, classificando a iniciativa como uma “manipulação sem alma”. “É doentio, indesculpável e profundamente ultrajante”, afirmou Magyar, apelando à retirada imediata do conteúdo. O Tisza tem reiterado que, ao contrário do que afirma a propaganda oficial, não pretende enviar armas ou tropas para a Ucrânia.
A Reação do Governo e o Quadro Legal
Apesar das críticas, o Fidesz mantém o vídeo online. Alexandra Szentkirályi, presidente da secção de Budapeste, defendeu que as imagens são um “reflexo fiel da realidade”, enquanto o dirigente Gergely Gulyás justificou o teor do vídeo com a elevada taxa de mortalidade diária no conflito ucraniano, não negando o recurso à IA.
Esta estratégia surge num momento de transição legislativa:
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Uso recorrente de IA: O Fidesz tem utilizado estas ferramentas em vários vídeos, nem sempre devidamente identificados.
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Regulação Europeia: A nova Lei da IA da União Europeia, que entrará brevemente em vigor, tornará obrigatória a rotulagem de conteúdos gerados artificialmente.
Cenário Eleitoral de Tensão
A par do vídeo, a televisão estatal húngara lançou um segmento diário intitulado “Os Horrores da Guerra”, gravado num estúdio decorado com escombros e equipamento militar destruído.
A eficácia desta retórica é visível nas sondagens: segundo o Centro de Pesquisa 21, 23% dos eleitores acreditam que uma vitória do Tisza levaria o país à guerra. No entanto, as sondagens independentes colocam o partido de Péter Magyar na liderança, com uma vantagem de 10 a 12 pontos sobre o partido de Orbán, contrastando com os dados das sondagens pró-governamentais.
Redação






