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O adeus a Silvino Louro: Do título europeu pelo Benfica ao sucesso com Mourinho

Morreu o antigo guarda-redes e treinador Silvino Louro. O histórico internacional português, que defendeu as balizas de Benfica, FC Porto, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães e Salgueiros, faleceu esta quinta-feira, aos 67 anos, vítima de doença prolongada. Ao JPN, antigos companheiros de equipa como Costinha, Domingos Paciência e Vítor Paneira recordaram o homem e o profissional.

Natural de Setúbal, Silvino estreou-se na equipa principal do Vitória FC em 1978/79, antes de rumar ao Minho para representar o Vitória de Guimarães. A afirmação plena chegaria no Benfica onde, após um empréstimo ao Desportivo das Aves, se tornou figura incontornável durante oito épocas. Pelas “águias”, conquistou quatro campeonatos nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça, tendo disputado duas finais da Taça dos Campeões Europeus: em 1988, frente ao PSV, e em 1990, diante do AC Milan, partida em que ostentou a braçadeira de capitão.

Em 1995/96, ingressou no FC Porto, onde permaneceu duas temporadas e somou mais dois campeonatos e uma Supertaça. Encerrou a carreira de jogador ao serviço do Salgueiros, totalizando 23 épocas na Primeira Divisão e 23 internacionalizações pela Seleção Nacional.

Após pendurar as luvas, Silvino dedicou-se ao treino de guarda-redes. Entre 2001 e 2018, integrou a equipa técnica de José Mourinho, acompanhando-o no FC Porto, Chelsea, Inter de Milão, Real Madrid e Manchester United. No Inter, fez parte do “triplete” histórico (2009/10). Foi ainda treinador de guarda-redes da Seleção Nacional entre 2000 e 2002.

Costinha: “Era uma pessoa com um coração enorme”

A dimensão humana de Silvino foi sublinhada por Costinha, que privou com ele no FC Porto e no Chelsea. Em declarações ao JPN, o ex-médio descreveu-o como uma pessoa “extremamente afável” e “contagiante pela sua alegria”.

“Era um bom homem, sempre pronto a ajudar com um conselho”, recordou Costinha, lembrando a cumplicidade no balneário. Entre risos, recordou a relutância de Silvino em apitar jogos de treino: “O grupo fazia de propósito para o chatear e ele reagia sempre com diplomacia: ‘não sei se querem pegar comigo, mas não vão conseguir'”. Para o antigo internacional, Silvino deixou uma marca indelével não só no futebol português, mas mundial, tendo treinado nomes como Vítor Baía, Júlio César e Iker Casillas.

Vítor Paneira: “Perdemos um bocadinho do Benfica e de tudo”

Vítor Paneira, antigo companheiro na Luz, recordou o guarda-redes como “a verdadeira definição da palavra camarada”. Numa altura em que o Benfica dominava o futebol nacional, Silvino era um dos grandes responsáveis pelo bom ambiente no grupo.

Paneira recordou com nostalgia as brincadeiras motivadas pela forma peculiar como Silvino pronunciava o “L”: “Ao invés de dizer luvas, dizia ‘wuvas’. Pegávamos com ele e ele vinha atrás de nós dar-nos cachaçadas”. Para Paneira, Silvino era uma pessoa “fiel e dedicada”, carinhosamente apelidado pelos amigos de “nosso Vininho”.

Domingos Paciência: “Simples, humilde e amigo do amigo”

Domingos Paciência, que partilhou o balneário com Silvino no FC Porto entre 1995 e 1997, destacou o seu perfil conciliador. “Era uma pessoa que se dava bem com toda a gente, nada conflituosa”, afirmou o antigo avançado, realçando a rapidez com que Silvino se integrou no clube, apesar de chegar de um rival direto.

Domingos recordou ainda a alcunha “Mãozinhas”, devido ao tamanho das mãos de Silvino, e a forma como este reagia às provocações: “Vinha a trincar a língua para cima de nós, em tom de brincadeira. Era um jogador que fazia muito balneário.”

Último adeus

A Federação Portuguesa de Futebol decretou um minuto de silêncio em todos os jogos das suas competições até dia 22 de março. Clubes como Benfica, FC Porto, Real Madrid e Manchester United já emitiram notas de pesar.

O funeral realiza-se este sábado, às 15h15, no Cemitério de Vale Flores, no Feijó (Almada), após o velório na Mesquita Central de Lisboa.

Redação