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Zamil Limon. (Arquivo da família de Zamil Limon) O colega de quarto de Zamil, Hisham Abugharbieh, encontra-se detido e foi acusado de dois crimes de homicídio premeditado em primeiro grau com arma, pelas mortes de Zamil e Nahida. Ele também enfrenta acusações de remoção ilegal de um cadáver, omissão de comunicação de morte com intenção de ocultação, adulteração de provas físicas, sequestro e agressão, relacionadas com os dois homicídios, informou o Ministério Público. Hisham Abugharbieh, de 26 anos, vai ficar detido enquanto aguarda julgamento, decidiu um juiz na terça-feira. Os procuradores tinham solicitado que ele fosse mantido na prisão devido à “natureza brutal e violenta” dos crimes alegados. Hisham Abugharbieh, de 26 anos, é acusado de matar Nahida Bristy e Zamil Limon. (Gabinete do Xerife do Condado de Hillsborough) Um relatório do médico legista indicou que Zamil sofreu uma facada profunda na parte inferior das costas que penetrou no fígado, entre outras feridas, de acordo com documentos judiciais apresentados no Tribunal do Condado de Hillsborough. Para além de várias facadas, Zamil “estava amarrado à frente pelas mãos e pelos tornozelos”, acrescentou o xerife do condado de Hillsborough. “As suas pernas, até à zona das nádegas, estavam quase completamente decepadas para que pudesse ser dobrado… (tornando) mais fácil colocá-lo num saco do lixo. Foi deixado à beira da estrada. Por mais horrível que este homicídio tenha sido, ele foi literalmente deixado à beira da autoestrada como um pedaço de lixo”. Os investigadores contactaram a família de Nahida Bristy no Bangladesh, na última semana, para informar que acreditavam que ela poderia estar morta, com base na quantidade de sangue encontrada no apartamento que Zamil partilhava com o suspeito, confirmou o irmão de Nahida à WTSP, afiliada da CNN. A família de Nahida Bristy está a trabalhar com a embaixada do Bangladesh para recuperar o seu corpo “o mais rapidamente possível”, disse o irmão da jovem. Hisham Abugharbieh foi detido na manhã de 24 de abril, numa casa em Lutz, na Florida, depois de as autoridades terem respondido a um incidente de violência doméstica envolvendo um membro da família, informou o gabinete do xerife. Nahida Bristy era estudante de doutoramento em engenharia química na USF. Tinha um mestrado em engenharia pela Universidade de Engenharia e Tecnologia de Bangladesh e uma licenciatura em química aplicada e engenharia química pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Noakhali, no Bangladesh, de acordo com o seu perfil no LinkedIn. O sonho de Nahida “era regressar ao Bangladesh, trabalhar aqui, fazer algo de grande e contribuir para a sociedade”, contou Zahid Pranto à CNN na segunda-feira. “Era a irmã perfeita. Era a filha perfeita da sua família”. Nahida Bristy e Zamil Limon “eram estudantes exemplares, a construir as suas vidas, a criar comunidade e a contribuir para a nossa universidade de formas significativas”, afirmou esta sexta-feira o presidente da Universidade do Sul da Florida, Moez Limayem, num comunicado. A universidade está a colaborar com as autoridades na investigação, acrescentou. O professor Mohammad Ismail, vice-reitor da NSTU, também lamentou a morte de Nahida, afirmando numa publicação nas redes sociais que ela era uma “aluna talentosa e promissora”. “A sua morte prematura é uma perda irreparável para a universidade e para a nação”, escreveu. Durante uma vigília na USF em homenagem aos dois estudantes, esta sexta-feira, professores que trabalharam de perto com Nahida e Zamil recordaram-nos como estudantes brilhantes e gentis que eram pilares da sua comunidade académica. “Quando a conheci… vi uma estudante com um sorriso discreto, um comportamento tranquilo e entusiasmo para iniciar os seus estudos. Segundo todos os relatos dos seus amigos, estas qualidades nunca a abandonaram”, disse Vinay Gupta, presidente do departamento de engenharia química, biológica e de materiais da USF. Pouco depois de os restos mortais de Nahida Bristy terem sido identificados publicamente, a família de Zamil Limon disse esperar que os entes queridos da jovem “possam encontrar alguma paz após receberem esta confirmação”. “Os horríveis assassinatos de dois estudantes que viajaram meio mundo para prosseguir os estudos superiores contradizem tudo aquilo que a Florida e os Estados Unidos defendem”, afirmou o xerife. “As pessoas vêm para cá porque aqui tudo é melhor do que em qualquer outro lugar do mundo. E ter de contactar as famílias e dizer-lhes que os seus entes queridos estão desaparecidos, ligar-lhes mais tarde para lhes dizer que os encontrámos, mas que estão mortos, e depois descrever alguns detalhes que elas queriam saber sobre a forma como foram mortas, porque foram esfaqueadas, tantas vezes, quantas foram… vai contra tudo aquilo em que os americanos acreditam”.

Segundo o investigador Xabier Cabodevilla, da Universidade do País Basco, citado pelo ZAP, não faz sentido “criminalizar estas aves”, sendo antes necessário gerir a sua presença nas cidades. Embora o risco sanitário não seja considerado extremo, os excrementos de pombo podem conter bactérias associadas a doenças gastrointestinais, como Salmonella, Listeria, Campylobacter ou Yersinia, além de fungos e parasitas. Crianças e pessoas com imunidade mais fragilizada são os grupos mais vulneráveis. Existe ainda um problema estrutural importante: a composição das fezes. Ao contrário dos mamíferos, as aves eliminam tudo pela mesma via — a cloaca. Isso faz com que os excrementos contenham compostos altamente ácidos, visíveis na parte branca da mistura, capazes de corroer materiais. Essa acidez pode danificar pintura de automóveis, degradar pedra e metal e até acelerar o desgaste de património histórico. Mas dá para transformar em fertilizante? À primeira vista, sim. As fezes de aves são utilizadas na agricultura há séculos, especialmente no caso do guano — um fertilizante natural rico em azoto, fósforo e potássio, historicamente tão valioso que chegou a estar ligado a conflitos no século XIX na América do Sul. No entanto, o caso dos pombos urbanos é mais complicado. O principal obstáculo é a contaminação. Nas ruas, os excrementos misturam-se com pó, lixo, metais pesados e outros poluentes urbanos, tornando o material pouco seguro e difícil de aproveitar. Além disso, como sublinha a mesma fonte, seria necessário concentrar grandes quantidades de resíduos em ambientes controlados — algo que iria contra as próprias medidas de controlo populacional destas aves nas cidades. Apesar das limitações, já houve testes promissores. Em 2012, em Paris, o designer Jean-Sébastien Poncet criou o projeto “Guano de Paris”, que propunha recolher excrementos de pombo em estruturas urbanas para produção de adubo. Mais tarde, investigadores franceses confirmaram o potencial do material em contexto científico. Num estudo publicado em 2023, plantas de tomate cherry cultivadas em Ivry-sur-Seine cresceram mais rapidamente e produziram mais flores quando fertilizadas com excrementos de pombo diluídos em água. Segundo a mesma investigação, o guano foi previamente esterilizado a 121 ºC durante 20 minutos sob pressão, garantindo a eliminação de agentes patogénicos antes da aplicação nas plantas. O cocó de pombo pode ter valor agrícola em condições laboratoriais muito específicas, mas o seu uso direto nas cidades continua a ser inviável devido a riscos sanitários e contaminação urbana.