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Portugal à beira de uma nova onda de calor extremo. Temperaturas podem chegar aos 45ºC na próxima semana

Portugal poderá entrar já nos próximos dias na segunda onda de calor de 2026, num episódio que os principais modelos meteorológicos apontam como potencialmente mais intenso e mais duradouro do que o registado entre o final de maio e o início de junho.

Portugal poderá entrar já nos próximos dias na segunda onda de calor de 2026, num episódio que os principais modelos meteorológicos apontam como potencialmente mais intenso e mais duradouro do que o registado entre o final de maio e o início de junho. A poucos dias do início oficial do verão, marcado para domingo, 21 de junho, os cenários mais recentes indicam uma subida acentuada das temperaturas a partir da próxima quarta-feira, com máximas que poderão ultrapassar os 40ºC em várias regiões do país e aproximar-se dos 45ºC em algumas zonas do interior da Península Ibérica.

Segundo o Observador, os modelos meteorológicos convergem cada vez mais na formação de uma vasta cúpula de calor sobre a Europa Ocidental, fenómeno conhecido como heat dome, que poderá atingir o seu pico entre os dias 22 e 26 de junho. Além de Portugal e Espanha, também França surge entre os países mais expostos, com previsões que apontam para temperaturas superiores a 40ºC em algumas regiões. Apesar da crescente confiança dos especialistas, permanece uma variável decisiva: a posição final de uma depressão isolada em altitude, ou “gota fria”, que se está a formar a oeste da Península Ibérica. Pequenas alterações na sua localização poderão traduzir-se em diferenças de vários graus nas temperaturas previstas.

A preocupação dos meteorologistas aumenta pelo facto de este novo episódio surgir poucas semanas após uma onda de calor excecional que afetou Portugal entre 20 de maio e 1 de junho. Esse fenómeno foi considerado a terceira onda de calor mais longa alguma vez registada no país, com uma duração média de 9,3 dias, ficando apenas atrás do episódio de 1964. Em termos de intensidade, foi mesmo a segunda mais significativa de que há registo. Durante esse período foram batidos 25 recordes de temperatura máxima e Mora, no distrito de Évora, atingiu 40,3ºC, estabelecendo um novo extremo absoluto para o mês de maio. O calor afetou igualmente outros países europeus, tendo sido associadas 16 mortes em França e no Reino Unido.

Os especialistas alertam que vários fatores poderão agravar o novo episódio. Os solos encontram-se mais secos após a vaga de calor anterior, reduzindo a evaporação da humidade disponível e favorecendo o aquecimento direto do ar. Ao mesmo tempo, a proximidade do solstício de verão significa dias mais longos, mais horas de exposição solar e uma maior acumulação de calor à superfície. Esta combinação, associada ao bloqueio atmosférico provocado por um anticiclone estacionado sobre os países nórdicos, poderá impedir a dissipação da massa de ar quente durante vários dias consecutivos.

Até quarta-feira, o país deverá continuar sob influência de alguma instabilidade atmosférica, com possibilidade de aguaceiros e trovoadas no interior Norte e Centro, sobretudo durante a tarde. Depois disso, prevê-se uma escalada rápida das temperaturas. As projeções atuais apontam para máximas entre 37ºC e 40ºC em Santarém, 38ºC e 41ºC em Castelo Branco, 39ºC e 42ºC em Évora e Beja, e entre 36ºC e 39ºC em Bragança e Vila Real. Os cenários mais extremos admitem mesmo valores próximos dos 43ºC a 45ºC no interior sul da Península Ibérica, enquanto França teme igualmente temperaturas superiores aos 40ºC.

Além das máximas elevadas, os modelos meteorológicos antecipam noites tropicais generalizadas, com temperaturas mínimas acima dos 20ºC em várias regiões, especialmente no Sul e em parte do litoral. Em algumas áreas do interior alentejano e do Vale do Guadiana poderão ocorrer noites tórridas, com os termómetros a não descerem dos 25ºC. Este fenómeno é considerado particularmente preocupante para a saúde pública, uma vez que dificulta a recuperação do organismo durante a noite e contribui para a acumulação progressiva de calor, aumentando o impacto de uma vaga que poderá tornar-se uma das mais significativas dos últimos anos.

 

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