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“O que Cuba está a sofrer é o equivalente a uma guerra”

À medida que os EUA intensificam a pressão económica sobre Cuba, a jornalista Bianna Golodryga, da CNN, conversa em exclusivo com Carlos Fernandez de Clasio, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, sobre a forma como Havana poderá responder, a possibilidade de negociações e se o regime teme uma mudança de regime impulsionada pelos EUA. Leia a transcrição da entrevista, que foi emitida no programa Amanpour

Carlos Fernandez de Clasio é o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba e o seu principal diplomata para os assuntos americanos. E diz que Havana já está a trocar mensagens com Washington e está pronta para um diálogo significativo.

CNN – Carlos Fernandez de Clasio, bem-vindo. Parece que está a confirmar o que ouvimos do Presidente Trump, quando disse que a administração norte-americana está a falar com pessoas ao mais alto nível do seu governo. Ele diz também que está à espera de um acordo. Para ficar claro, o seu governo está a trabalhar ou a analisar uma proposta ou pedido dos Estados Unidos?

Carlos Fernandez de Clasio (CFC) – O governo dos Estados Unidos sabe que Cuba está pronta, e há muito tempo, para manter um diálogo significativo com o governo dos Estados Unidos para tratar das nossas questões bilaterais. Neste momento, trocámos algumas mensagens, mas não podemos dizer que tenhamos estabelecido um diálogo bilateral.

CNN – São essas comunicações, para citar o Presidente, ao mais alto nível?

CFC – A maior parte das coisas em Cuba relacionadas com os EUA são ligadas ao mais alto nível. É uma questão importante para nós, por isso não há nenhuma decisão, nenhuma ação tomada que não envolva o alto nível do governo em Cuba.

CNN – Então aqui está a dizer que Cuba está aberta a um diálogo significativo. Parece uma reviravolta completa em relação ao que o seu presidente dizia na semana passada, referindo que as medidas tomadas por Washington são, cito, de natureza criminosa e genocida. Agora está pronto para falar. O que é que mudou? A pressão dos Estados Unidos está a resultar?

CFC – A declaração do nosso Presidente, que foi feita a 9 de janeiro, creio, chamava às acções empreendidas pelos Estados Unidos o que elas são. E ele disse também muito claramente que Cuba está disposta a manter um diálogo sério e responsável com os Estados Unidos, que respeite o direito internacional e, evidentemente, respeite as nossas prerrogativas nacionais e as nossas prerrogativas soberanas. Não há qualquer alteração no que ele disse.

Cuba não representa qualquer ameaça para os Estados Unidos. Não é agressivo contra os Estados Unidos. Não é hostil. Não apoia o terrorismo nem patrocina o terrorismo”. Carlos Fernandez de Clasio

CNN – O Presidente dos Estados Unidos, bem como o seu secretário Marco Rubio, afirmaram que o seu objetivo – Marco Rubio disse-o explicitamente – seria a mudança de regime, mais tarde ou mais cedo. Como é que se responde a essa exigência?

CFC – Bem, a primeira coisa a ter em conta é que, na medida anunciada a 29 de janeiro [quando Trump assinou um decreto de emergência nacional que declarou que as ações do governo cubano constituem uma “ameaça invulgar e extraordinária” à segurança nacional dos EUA], afirmam que Cuba é uma emergência para os EUA porque nós representamos uma ameaça para os Estados Unidos.

Cuba não representa qualquer ameaça para os Estados Unidos. Não é agressivo contra os Estados Unidos. Não é hostil. Não apoia o terrorismo nem patrocina o terrorismo. Não existem bases militares estrangeiras em Cuba, ao contrário do que se alega – com exceção da existente em Guantanamo, a base dos EUA. Cuba não tem tráfico de drogas ou drogas ilegais que possam prejudicar os Estados Unidos, nem há crime organizado em Cuba, nem o crime organizado usa Cuba como plataforma contra os Estados Unidos.

Portanto, as alegações que eles usaram… não são verdadeiras. Agora, o secretário de Estado [Marco Rubio] disse que quer uma mudança de regime. E essa tem sido a sua política e a política de muitos políticos anti-cubanos nos Estados Unidos desde há muito tempo. Não sei qual é hoje o raciocínio do governo quando fala em falar com Cuba porque, evidentemente, o nosso plano e a nossa ideia e os nossos objetivos nunca seriam mudar o governo que temos em Cuba, nem o sistema ou o sistema económico ou político que temos em Cuba.

CNN – Então, o que é que vão fazer para deter os Estados Unidos, se é esse o seu objetivo final?

CFC- Eles estão a tentar asfixiar Cuba economicamente, como têm tentado fazer nas últimas seis décadas, diria eu. Neste momento, estão a ameaçar os países com tarifas para os prejudicar se, no uso das suas prerrogativas nacionais, exportarem combustível para Cuba. Isso será muito prejudicial para Cuba. O objetivo é causar o maior dano possível ao povo de Cuba. Temos, de certa forma, de olhar para os nossos planos, para a forma como utilizamos uma grande dose de austeridade, de estoicismo, de sacrifício, e tentar ultrapassar a realidade com a possibilidade de ter muitas limitações, diria, na possibilidade de importar combustível.

CFC – Depende das suas exigências. Não vou partilhar quais são as nossas reservas petrolíferas, não é algo que usemos publicamente. Não sei quais são as fontes do Financial Times. Mas, dependendo das pretensões dos Estados Unidos, se os Estados Unidos quiserem cooperar na luta contra o tráfico de droga, Cuba pode ajudar. E temos estado a ajudar no passado. Se os EUA quiserem cooperar como país vizinho, trata-se de questões que interessam à maioria dos americanos…

CNN – Mas disse que Cuba não está a traficar drogas, então como é que ajudaria os Estados Unidos?

CFC – Bem, temos estado a ajudar no passado e podemos continuar a ajudar com o tráfego que circula na região. E grande parte da contribuição e da cooperação que Cuba tem prestado tem ajudado a segurança da fronteira sudeste dos Estados Unidos contra a passagem de droga da América do Sul para a América do Norte e as tentativas de utilizar as águas ou o ar de Cuba.

CNN – Qual é a linha vermelha que Cuba não ultrapassará para conseguir que mais petróleo entre no país?

CFC – Penso que seria semelhante às que os EUA têm. Não estamos preparados para discutir o nosso sistema constitucional, tal como supomos que os EUA não estão preparados para discutir o seu sistema constitucional, o seu sistema político, a sua realidade económica. E como nação soberana, temos as mesmas crenças que os EUA. Mas há muitas outras questões que podemos discutir e que podem ser úteis para ambos os países e que podem ajudar até os países da região em vários domínios, os que referi, mas também na ciência. também na saúde, também na educação. Mas Cuba está também num processo de transformação económica que tem tido muitas dificuldades precisamente por causa das pressões e da guerra económica que vem dos Estados Unidos.

Estou certo de que se nos sentássemos e se os EUA estivessem dispostos a aliviar a pressão ilegítima que exercem sobre Cuba, poderíamos evoluir de forma a que os americanos pudessem viajar para Cuba, o que hoje é proibido pelo seu governo; pudessem fazer negócios em Cuba, o que hoje é proibido pelo seu governo; pudessem visitar Cuba, pudessem fazer turismo em Cuba, o que hoje é proibido pelo seu governo.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. (Getty Images)

CNN – O senhor deputado menciona e descreve como ilegítima a justificação dos EUA para o bloqueio. A ordem executiva da administração Trump de 29 de janeiro cita especificamente Cuba como anfitriã de países hostis, nomeadamente a Rússia e a China, sendo essa uma razão para este novo bloqueio. Afirmou que não existem actores hostis no país. Por isso, peço-lhe que confirme novamente para ser exato: existem neste momento operadores ou operações dos serviços secretos russos ou o mesmo se passa com as operações de segurança chinesas no interior de Cuba?

CFC – Não há operações estrangeiras em Cuba e não há qualquer ação ou atividade em Cuba de qualquer país estrangeiro que seja hostil aos Estados Unidos ou que possa prejudicar os Estados Unidos.

CNN – Portanto, não há instalações de vigilância no estrangeiro.

CFC – O que acolhemos em Cuba são embaixadas desses países, tal como os Estados Unidos acolhem embaixadas desses países.

CNN – Se não se chegar a um acordo nos próximos 30 dias, digamos que, dependendo da quantidade de petróleo que tem em reserva e se os apagões se intensificarem, está disposto a ser responsabilizado perante os seus próprios cidadãos pelo facto de o seu país se ter transformado num Estado falhado?

CFC – Mas a razão pela qual o nosso país, hipoteticamente, acabaria por se tornar um Estado falhado não seria obra do nosso governo. É um objetivo preciso e definido do governo dos EUA tentar destruir o modo de vida dos cubanos. Se algum país, ou conjunto de países, tentasse destruir o modo de vida dos americanos, a responsabilidade seria do governo dos EUA? Ou a responsabilidade seria daqueles que querem ser hostis aos EUA e querem prejudicar o povo dos Estados Unidos?

CNN – Antes de 3 de janeiro, ou seja, no dia da operação em que os Estados Unidos retiraram Maduro da Venezuela, a economia cubana encontrava-se no seu pior estado desde o início da década de 1990. Sofre de estagflação maciça, estima-se que a inflação real seja de cerca de 70% até ao final deste ano. Há muitos anos que tem apagões crónicos. Como é que isto é tudo culpa das políticas dos Estados Unidos e não é culpa vossa?

CFC – Se olharmos para a legislação dos Estados Unidos, se olharmos para o que dizem os políticos dos Estados Unidos, teria a certeza de que isso iria acontecer. Desde os anos 60 que os políticos dos Estados Unidos apostam que as suas medidas económicas coercivas contra Cuba farão com que o país entre em colapso. Muitos políticos, funcionários do Departamento de Estado e funcionários da Casa Branca têm-no dito há anos. Para eles, diria que é um milagre o facto de Cuba ter durado tanto tempo. Tem sido o objetivo dos Estados Unidos, por sua própria iniciativa, acreditarem que as suas acções podem fazer com que Cuba entre em colapso. Portanto, culpar o governo cubano por algo que os EUA, com a sua poderosa capacidade e influência em todo o mundo, pelas acções que ele pratica e é bastante responsável…

Tente avaliar qualquer país, qualquer país que apoiasse e fosse capaz de suportar o que Cuba fez. Muitos países do mundo estiveram à beira da crise só porque o governo dos EUA disse que iria aumentar ou aplicar algumas tarifas. O que Cuba sofre é equivalente a uma guerra em termos de medidas  económicas coercivas. E, evidentemente, essa é uma responsabilidade total dos Estados Unidos.

CNN – Assim, tendo em conta a pressão existente e as tensões impostas pelas sanções, por que razão o seu governo tomou a decisão de gastar cerca de 40% do seu orçamento nacional em hotéis de luxo nos últimos dois anos, enquanto a rede eléctrica, que está quase completamente em colapso, recebeu menos de 3% desse mesmo investimento?

CFC – 40% é um exagero, não sei onde foi buscar esses números. Mas o turismo é uma indústria muito legítima que gera receitas para o nosso país, que proporcionam cuidados de saúde, educação e infraestruturas. Trata-se de um sector importante no nosso país. Por isso, não é um luxo para um pequeno número de pessoas entrar nesses hotéis. É uma fonte de rendimento muito importante para Cuba e para muitos países em todo o mundo. E é uma indústria legítima.

CNN – É ilegítimo perguntar onde é que o vosso governo decide afetar os recursos limitados que tem para prover à sua população?

CFC – É uma pergunta muito legítima. E pode perguntar , e algumas pessoas podem pensar que se pode utilizá-lo na construção de estradas. Alguns poderiam dizer que poderíamos voltar a produzir cana-de-açúcar e a exportar açúcar, como fizemos durante 200 anos. Mas [o turismo] é uma indústria legítima. Assim, pode pedir que lhe sejam atribuídos 15% ou 30%. Mas não é essa a razão pela qual Cuba tem tido uma situação económica muito difícil. Se assim fosse, os EUA não estariam tão empenhados em continuar a aumentar a pressão contra Cuba.

CNN – Vimos agora que a Venezuela está basicamente “desligada da rede” em termos de fornecimento de petróleo ao vosso país, e era o vosso principal fornecedor, e agora o México está a ser pressionado a fazer o mesmo. Que comunicações está a fazer neste momento com o governo de Scheinbaum [a Presidente do México, Claudia Sheinbaum], uma vez que sabe que ela está a falar diretamente com a administração Trump, sobre o fornecimento de qualquer tipo de petróleo ao seu país?

CFC – Estamos a comunicar com muitos governos, e o governo mexicano é um governo muito próximo do nosso. É um país que, historicamente, tem estado muito próximo de Cuba. O que é ilegítimo é que os EUA privem Cuba de algo tão precioso como combustível, tão necessário para a vida de qualquer país. O que é ilegítimo é pressionar um país e… ameaçá-los se exportarem os seus produtos para o país da sua escolha. Isso é absolutamente injusto e ilegítimo.

CNN – E essa é uma questão que tem sido levantada, a questão humanitária como consequência do bloqueio total do país das reservas de gás, etc., e de petróleo. E o Presidente Trump respondeu dizendo que acha que pode chegar a um acordo. É uma linguagem semelhante à que ouvimos do Presidente Trump antes de se capturar de Nicolas Maduro e de colocar agora a sua número dois, Delcy Rodriguez no lugar e no poder. Então, o que é que pode impedir ou evitar que esse mesmo tipo de cadeia de acontecimentos aconteça em Cuba? Como é que sabe que os Estados Unidos não estão atualmente a trabalhar ou a falar com alguém do seu governo para retirar a sua liderança e colocá-la no seu lugar?

CFC – Há muito tempo que tentam fazer isso, falar de cubanos de diferentes tipos. O governo cubano está unido, unido em torno do seu presidente, e tem o apoio da maioria da população. Por isso, podem tentar fazer isso. Não duvido que o tentem fazer. Têm-no tentado fazer em Cuba e em muitas partes do mundo. Mais uma vez, trata-se de algo muito ilegítimo. Mas, como disse no início, estamos prontos para nos sentarmos com os EUA e mantermos um diálogo significativo, sério e responsável.

E vamos ver as nossas diferenças. as verdadeiras diferenças. Quais são os problemas de Cuba que incomodam os americanos? Quais são as questões de Cuba que podem efetivamente ser consideradas prejudiciais para a maioria dos cidadãos americanos, para o seu nível de vida, a sua segurança, a sua paz, os seus bairros? Que problemas reais os prejudicam? E que questões podem existir que permitam aos EUA trabalhar com Cuba, fazer negócios em Cuba que possam ser lucrativos? Trabalhar em conjunto com Cuba para a paz e a tranquilidade na nossa região, o que é que os impede de o fazer? Penso que esta seria uma agenda muito alargada entre os dois países.

CNN – Uma dessas questões talvez seja a dos presos políticos. A Amnistia Internacional insiste que mais de mil presos políticos estão atualmente atrás das grades. Sabemos que, no mês passado, o vosso Presidente libertou cerca de 500 deles, na sequência de um pedido do Vaticano. Poderá Cuba comprometer-se a libertar os mil que, segundo a Amnistia Internacional, permanecem atrás das grades?

CFC – Não sei se o governo dos EUA quer discutir os prisioneiros connosco, porque os EUA têm muito mais prisioneiros, relativa e absolutamente, do que nós. Comparativamente, tem mais prisioneiros do que qualquer outro país do mundo.

CNN – Estou a falar de política. Não estou a falar de criminosos.

CFC – Incluo os presos políticos. Incluo as pessoas que, nos Estados Unidos, estão encarceradas sem julgamento durante anos, milhares e milhares. E isso é político quando se faz isso. E estou a falar disso também. Será que os EUA também querem falar sobre isso com Cuba? Estamos prontos para discutir qualquer assunto.

CNN – O assunto foi levantado? A questão dos presos políticos foi abordada nas actuais conversações com o governo dos EUA?

CFC – Não, não tivemos um diálogo. Ainda não tivemos um diálogo.

CNN – Então, qual é o modo de comunicação que está atualmente aberto?

CFC – Não estou preparado para falar sobre isso. Apenas trocámos mensagens.

CNN – OK, mas nada foi dito sobre os presos políticos, é isso que está a dizer.

CFC – Correto.

CNN – Gostaria de perguntar sobre a cadeia de acontecimentos que se seguiram à tomada de Maduro na Venezuela, juntamente com a sua mulher, porque sabemos que houve dezenas de militares cubanos que foram mortos a proteger Maduro. Cuba declarou publicamente que não havia militares a proteger a liderança venezuelana durante vários anos e veio a descobrir que havia, e o senhor fez uma cerimónia fúnebre de grande visibilidade e vimos os funerais que organizou para todos eles. Então, porquê mentir sobre algo que depois tornou tão público?

CFC – Dizer que estamos a mentir é uma palavra forte. Em 2018, 2019 e 2020, quando esta questão foi levantada, fomos muito claros: “Não temos tropas na Venezuela. Não participamos em operações militares na Venezuela”. Foi o que dissemos sistematicamente. O que se passou na Venezuela, e os agentes que, como afirmou, perderam a vida lá, eram seguranças, seguranças pessoais do Presidente da Venezuela. Isso não é de modo algum equivalente a tropas. As pessoas sabem o que são tropas. Não havia regimento. Não havia batalhão. Não havia maquinaria pesada em termos militares de Cuba na Venezuela. Tratava-se apenas de um pormenor de segurança para o Presidente da Venezuela. Não se trata de equivalência de tropas em nenhuma medida. Por isso, é errado dizer que estávamos a mentir.

CNN – Quem estava a pagar por essa segurança? O governo de Maduro? 

CFC – Não, eles não estavam a pagar por isso. Não há qualquer pagamento para a segurança. Foi cooperação, cooperação.

CNN – Então, de onde veio esse dinheiro?

CFC – Que dinheiro?

CNN – É preciso dinheiro para enviar tropas para outro país, dinheiro que diz não ter.

CFC – Cuba pagou por isso.

CNN – Então é aí que Cuba afecta os seus recursos. Como é que se explica aos próprios cidadãos que é aí que se afectam os recursos em vez de lhes fornecer eletricidade estável?

CFC – Para pagar o salário de 30, 40 pessoas noutro país? Comparemos este valor com o que os Estados Unidos pagam em despesas militares e, no entanto, há pessoas pobres no país mais rico do mundo. Porque é que isso seria errado? E o povo de Cuba apoiou-o e orgulha-se disso, a maioria dos cubanos.

CNN – Está bem. Bem, teremos de fazer com que eles respondam a essa pergunta numa determinada altura. Agradecemos o tempo que nos foi concedido hoje. Carlos Fernandez de Cossio, obrigado. Muito obrigado por se juntar a nós.

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