Search
Close this search box.

Rússia diz ter conquistado Luhansk mas as mudanças na linha da frente são “mínimas”

Segundo os analistas do ISW, as informações “exageradas” divulgadas pelo Kremlin fazem parte de uma campanha de informação conduzida pela Rússia para criar um “falso sentido de urgência” junto de Kiev

As forças russas dizem ter conquistado todo o oblast de Luhansk, alegou o Ministério da Defesa russo na quarta-feira. A confirmar-se, seria a terceira vez desde o início da invasão em grande escala à Ucrânia que a Rússia toma por completo aquela parte do território ucraniano.

Desde outubro de 2022 que as tropas de Putin controlam a maioria da região, embora o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) tenha constatado que a influência sobre o oblast não é total. 99,84% é efetivamente controlado pela Rússia, mas “não tomaram Nadiya e Novoyehorivka – ambas a leste de Borova”, revela o instituto.

Ainda segundo o ISW, as informações “exageradas” divulgadas pelo Kremlin sobre a conquista de Luhansk são calculadas e fazem parte de uma campanha de informação conduzida pela Rússia para criar um “falso sentido de urgência” junto de Kiev.

“As afirmações do Kremlin sobre a conquista do oblast exageram mudanças mínimas na frente em Luhansk, com o objetivo de criar a falsa impressão de que as forças russas estão a avançar rapidamente em várias frentes do campo de batalha”, pode ler-se na análise do instituto.

Isto pode, inclusive, levar a Ucrânia a ceder partes ainda não ocupadas do oblast de Donetsk, um território que a Rússia tem tentado reclamar para si, sem grande sucesso, continua o ISW.

No entender dos investigadores, “as alegações russas de que as suas forças conseguirão conquistar facilmente o resto do oblast de Donetsk – quanto mais realizar avanços em grande escala para tomar grandes cidades noutras regiões longe da linha da frente – são absurdas e não correspondem à realidade atual do campo de batalha”.

As alegações sobre o enfraquecimento dos avanços russos têm ganhado força, especialmente depois de o ISW relatar que o exército russo está a ter dificuldades em ganhar terreno no norte do “Cinturão de Fortalezas” ucraniano, em Donetsk.

O outro objetivo do Kremlin consiste em retratar defesas ucranianas fragilizadas, à beira do colapso, perante os EUA e outros aliados de Kiev, de maneira a que se vejam obrigados a aplicar pressão sobre Zelensky para que ceda território “desnecessariamente”, acrescenta.

Na terça-feira, o presidente ucraniano denunciou que a Rússia estabeleceu um prazo de dois meses para que as tropas ucranianas se retirem do território que ainda controlam em Donetsk.

Com esta narrativa, Zelensky acusa Putin de estar a tentar criar a perceção de que está cada vez mais próximo de conquistar o Donbass, ameaçando com exigências mais duras caso a Ucrânia não abandone aquele oblast dentro do prazo definido pela Rússia.

Em resposta ao alegado prazo russo, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse mesmo que Zelensky deve tomar essa decisão “hoje”, mas idealmente devia tê-lo feito “ontem”, reforçando um sentido de urgência e de ameaça iminente.

As ameaças “não são novas” e vão ainda mais longe. Foi o que garantiu o primeiro vice-chefe do Comité de Assuntos Internacionais da Duma Estatal, Alexei Chepa, que advertiu para um agravamento das condições russas. “No futuro poderão incluir exigências para que a Ucrânia também se retire dos oblasts de Zaporizhia e Kherson e ceda as cidades de Odesa, Mykolaiv, Dnipro e Kharkiv”, avança o ISW.

Redação com cnnportugal