O secretário-geral do PCP afirmou hoje não acreditar que a UGT dê “luz verde” à proposta de alteração da legislação laboral em sede de Concertação Social. Paulo Raimundo sustentou que, mesmo que o acordo se concretize, os trabalhadores já demonstraram a sua oposição a estas mudanças.
“Estou convencido de que todos aqueles que representam os trabalhadores não podem estar de acordo, nem assinar medidas que, na prática, se traduzam num retrocesso na vida de quem trabalha. Não quero crer que isso vá acontecer”, afirmou Paulo Raimundo.
O líder comunista falava aos jornalistas durante uma ação de contacto com trabalhadores da Segurança Social, em Lisboa. Questionado sobre a reunião do secretariado nacional da UGT — agendada para esta quinta-feira para decidir a posição da central sindical sobre o pacote laboral —, Raimundo foi claro: embora a UGT seja livre de tomar as suas decisões, o sentimento nas ruas é de contestação.
“Os trabalhadores, em particular os mais jovens e as mulheres, que são os principais alvos deste pacote liberal, já o rejeitaram e não vão permitir mais ataques aos seus direitos”, defendeu. O líder do PCP recordou a recente greve geral e as várias manifestações já realizadas — bem como o protesto convocado pela CGTP para o próximo dia 17 — como prova dessa rejeição. “O que determina o desfecho é a voz dos trabalhadores. Cada um tomará as suas decisões, mas não pode ignorar esta realidade objetiva.”
Para Paulo Raimundo, a proposta do Executivo não resolve os problemas da legislação atual e, pelo contrário, “acrescenta coisas piores”, como o aumento da precariedade, a desregulação e novos ataques aos salários. “Não vale a pena o Governo tentar a manobra de comparar o texto atual com a versão inicial. Temos de comparar este documento com a lei em vigor; é isso que está em causa”, enfatizou..
Instado a comentar o apelo ao diálogo feito pelo Presidente da República, Paulo Raimundo recordou que o Chefe de Estado já tinha tecido críticas à “oportunidade deste pacote laboral”, alertando para o risco de retrocesso de direitos. O líder do PCP concluiu afirmando estar convicto de que “é possível evitar que o Presidente seja confrontado com um pacote laboral que não serve o país”.
Redação





