A Universidade do Porto vai lançar o primeiro doutoramento em Física Médica em Portugal, numa parceria entre FCUP, FMUP, ICBAS e IPO Porto. “Durante muito tempo, em Portugal, as coisas estavam um bocadinho atrasadas”, afirma o diretor do doutoramento, Pedro Teles.
O primeiro doutoramento em Física Médica em Portugal vai nascer na Universidade do Porto, resultado de uma colaboração entre a Faculdade de Ciências (FCUP), a Faculdade de Medicina (FMUP), o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO Porto).
A Física Médica, no essencial, corresponde à “aplicação de conceitos físicos em aplicações médicas”, uma área que se divide pela vertente de investigação e por uma vertente “mais regulamentada”, que exige formação específica para quem pretende trabalhar em contexto hospitalar, à semelhança de outras profissões de saúde, explica Pedro Teles, diretor do doutoramento, ao JPN.
O físico médico é o profissional responsável por operar equipamentos em radiação, como radioterapia, radiologia e medicina nuclear, ou em ressonâncias magnéticas e ultrassonografias. É precisamente para estas funções que o programa doutoral pretende preparar os estudantes.
Uma área “em franca expansão”
A aposta surge num contexto de forte crescimento internacional da área, associado ao surgimento de novas terapias, sobretudo no combate ao cancro. Em Portugal, no entanto, trata-se ainda de um campo profissional relativamente recente, agora impulsionado por um novo enquadramento legal que torna obrigatória a formação especializada para quem pretende exercer.
“Durante muito tempo, em Portugal, as coisas estavam um bocadinho atrasadas em relação aos outros países europeus. Não só não havia uma legislação adequada, como também não havia formação avançada que permitisse às pessoas formarem-se nesta área específica. A Universidade do Porto já nessa altura percebeu que era necessário e abriu, pela primeira vez, um mestrado em Física Médica”, explica Pedro Teles.
A atratividade da área parece estar também ligada ao seu impacto direto na vida das pessoas. O professor da FCUP acredita que determinados aspetos da área, como o srugimento de novos tratamentos, novas terapias para o cancro e novas formas de diagnóstico, conferem “uma componente mais humana ao trabalho, o que se calhar seria diferente se fosse uma área mais teórica da física que não tivesse uma aplicação direta tão imediata”.
Entre a Física e a Medicina
A criação do doutoramento assentou, desde o início, na ideia de uma colaboração interdisciplinar. Para além de enriquecer a oferta formativa, a articulação entre as quatro instituições “abre outras vertentes de investigação”, nomeadamente nas áreas biomédicas, exclareceu o professor.
Segundo o diretor do novo ciclo de estudos, o contacto com profissionais e investigadores de diferentes áreas torna o programa “mais polivalente”, oferecendo aos estudantes mais opções e promovendo uma maior abertura intelectual.
Com o doutoramento pioneiro em Física Médica, o objetivo é “que isto ainda vá mais longe, no sentido de tratarmos melhor, de diagnosticarmos melhor e dar melhor qualidade de vida às pessoas, que, no fundo, é o objetivo fundamental da ciência”, afirma Pedro Teles.
Editado por Inês Bulcão
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