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“Península Encantada” (um dos segredos mais bem guardados) fica a 1 hora de Coimbra (e quase não tem habitantes)

Nas margens do rio Zêzere, encontra-se Dornes, uma pequena aldeia frequentemente descrita como “Península Encantada” ou “Terra Mítica dos Templários”, cuja história cruza património religioso, legado medieval e tradição popular.

Situada a cerca de 70 quilómetros de Coimbra, a uma viagem de cerca de 1 hora, a localidade continua a afirmar-se como um dos lugares mais simbólicos da história templária em Portugal, apesar de contar atualmente com menos de duas dezenas de habitantes.

Banhada pela albufeira de Castelo de Bode, Dornes destaca-se também pela envolvente natural. O Turismo do Centro de Portugal descreve a aldeia como um destino pouco conhecido, mas particularmente apelativo para escapadinhas tranquilas, beneficiando da paisagem ribeirinha e da atmosfera serena.

Segundo informação divulgada pela autarquia, Dornes ganhou relevância durante a Reconquista Cristã, quando as terras foram entregues à Ordem dos Templários pelos primeiros reis portugueses. A posição estratégica da povoação levou à construção de estruturas militares defensivas e contribuiu para o desenvolvimento religioso e comunitário da região desde o século XII. A vila recebeu foral de D. Manuel I em 1513 e manteve o estatuto de sede de concelho até 1835.

O elemento mais marcante da paisagem é a Torre de Dornes, uma torre pentagonal única em Portugal, erguida pelos Templários como atalaia de vigilância durante a Reconquista. De acordo com dados turísticos regionais, a estrutura funcionava como parte da linha defensiva do rio Zêzere.

Informações recolhidas pelo Expresso indicam que a torre terá sido mandada construir por Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, sobre vestígios de uma antiga estrutura romana, integrando um sistema defensivo que incluía também o Castelo de Almourol. No interior permanecem estelas funerárias templárias, alimentando o imaginário histórico e místico associado ao local.

A mesma publicação refere que Dornes é frequentemente envolta em lendas e crenças populares, havendo visitantes que associam a península a uma energia especial ou até a um alegado “portal do tempo”, reforçando o caráter simbólico e espiritual da aldeia.

Outro dos principais marcos patrimoniais é o Santuário de Nossa Senhora do Pranto, cuja origem está ligada a uma antiga tradição religiosa. Segundo a autarquia, a construção primitiva remonta ao século XIII e terá sido promovida pela Rainha Santa Isabel, esposa de D. Dinis, então senhora destas terras.

Apesar da dimensão reduzida — cerca de 18 habitantes, segundo o mesmo jornal— a localidade oferece várias experiências turísticas, desde caminhadas pelo percurso PR1 Dornes – Vigia do Zêzere até passeios de barco, canoagem e atividades náuticas. Persistem ainda tradições ligadas ao rio, como a construção artesanal dos antigos barcos de três tábuas, outrora usados no transporte local.

O visitante encontra igualmente gastronomia associada aos peixes do rio e alojamentos junto à água, reforçando a vocação turística da aldeia.

Dornes já foi considerada uma das 7 Maravilhas de Portugal, distinção que ajudou a projetar nacionalmente esta pequena localidade. Mais recentemente, a aldeia passou a integrar a Rota dos Templários, iniciativa anunciada em 2024 pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que reúne dezenas de locais históricos ligados à presença templária em sete municípios da região.

Entre património medieval, tradição religiosa e paisagem natural, Dornes permanece como um dos exemplos mais singulares do interior português. Pequena em população, mas vasta em história e simbolismo, a aldeia continua a atrair quem procura descobrir Portugal com tempo, entre memórias templárias, lendas antigas e a tranquilidade das águas do Zêzere.

Veja a fotogaleria:

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Redação com NDC