Estradas enchem-se de peregrinos que caminham com destino ao Santuário de Fátima. Há quem o faça por promessa, para agradecer ou, simplesmente, por gosto. Hoje, têm início as comemorações aniversárias e são esperados milhares de devotos
Há cerca de dois anos, Sérgio Ferreira, emigrante em França, esteve em coma durante um mês, devido a uma pancreatite. Felizmente, recuperou e, para agradecer, juntou-se ao grupo de amigos peregrinos de Paranho de Besteiros, Tondela, e está a caminho de Fátima, a pé, pela primeira vez.
A acompanhá-lo, Nuno Figueiredo, com a imagem da Nossa de Fátima aos ombros, num gesto de fé e agradecimento. É assim «há mais de 20 anos» e, se as pernas e a saúde deixarem, as peregrinações anuais são para continuar, com um pedido no coração: simplesmente, força.
Sérgio e Nuno fazem parte de um grupo de sete peregrinos, a que se juntam dois elementos no apoio, que saíram de Paranho de Besteiros domingo, ao bater das 00h00. «Andámos toda a madrugada e todo o dia até à entrada de Condeixa», explica, sem nunca perder o ritmo da caminhada. Barracão era o destino da etapa de ontem e hoje o grupo já estará presente nas celebrações da noite no Santuário de Fátima, onde estarão milhares de peregrinos oriundos de todo o país.

A caminhada de fé encheu, por estes dias, as estradas nacionais, criando uma verdadeira onda verde e laranja, num movimento que é também de partilha de histórias de vida. Há novos amigos que se fazem, palavras de incentivo ou um simples “de onde vêm?” e, entre dores e as bolhas que possam surgir nos pés, a esperança de chegar ao destino não os deixa desistir.
A chuva que foi caindo acabou por dificultar a vida aos peregrinos, no entanto, com maior ou menor dificuldade e com recurso a impermeáveis e guarda-chuvas, os devotos, pelo que o Diário de Coimbra foi acompanhando, não desistiram. Os cafés, restaurantes e pontos de apoio por onde passaram acabaram também por servir de abrigo.
A rezar, a conversar, a contar anedotas, em silêncio, a conversar… e a cantar. Cada um vai em peregrinação à sua maneira e um grupo de Vila Nova de Gaia, ao aproximar-se do restaurante Casa da Júlia, em Condeixa, cantava, alegremente, “Maria Joana”, dos Calema, Nuno Ribeiro e Mariza.
Laura Gomes é a “porta-voz” destes cerca de 20 peregrinos (mais três no apoio), que saíram de Coimbrões, Vila Nova de Gaia, quarta-feira à noite. É a estreia como peregrina e a camisola do campeão Futebol Clube do Porto nada tem a ver com promessas.
«Até ver, está a correr tudo bem. Com algumas dores, sacrifício… mas que remédio temos nós em aguentar até chegar», adiantou, numa pausa para “carregar baterias”.
Desde que se colocaram a caminho, têm feito «uma média de 45 quilómetros por dia». Ainda é cedo para dizer se volta a repetir, mas, para Laura Gomes não há dúvida: «é uma experiência de vida, mas, acima de tudo, uma aprendizagem».

Uns quilómetros mais atrás, à entrada de Condeixa, na esplanada do café reinava a boa disposição entre um grupo de 10 peregrinos da zona de Viana do Castelo, Barcelos e Várzea, ou melhor, nove peregrinas e o Bruno, o único elemento masculino.
Filomena Fernandes é a boa disposição “em pessoa” e nem parece que está na estrada desde sexta-feira, dia 8. A primeira etapa, até Vila Nova de Gaia, já tinha sido percorrida no feriado de 25 de abril, ficando a faltar cinco etapas: até Oliveira de Azeméis, Águeda, Coimbra, Redinha (Pombal) e, hoje, Fátima.
Para Filomena Fernandes, a peregrinação a Fátima acontece pela quinta vez. «Venho para agradecer. É uma semaninha de férias e agradecer. Está a correr lindamente. Não dói nada. É tudo psicológico», adianta.
Para a amiga Laurinda Amorim, é a segunda vez. «Venho agradecer», conta ao Diário de Coimbra. «A primeira vez, foi para cumprir uma promessa por uma cunhada minha que tinha um tumor na cabeça… correu tudo bem, ela está bem, com a minha família também está tudo bem, por isso, venho agradecer», explica.

Este grupo peregrina sem carro ou carrinha de apoio. «O táxi leva as malas de um lado para o outro», adianta Filomena Fernandes, já a pensar na chegada à tenda do Pinto Insufláveis, a dar apoio aos peregrinos na zona de Pombal, num gesto que já faz parte da história da empresa.
Pelos Caminhos de Fátima ou pelas estradas nacionais, até ao final do dia de hoje, chegam ao Santuário milhares de devotos. Para garantir a segurança dos peregrinos, estiveram empenhados na Operação Fátima 2026 cerca de 300 operacionais.
Carros de apoio a postos em permanência
De carro, de carrinha ou até de autocaravana. O apoio aos peregrinos é um pormenor que faz a diferença, especialmente quando estão na estrada homens e mulheres que têm pela frente vários dias de peregrinação.
Paulo Almeida é um dos que não deixa faltar nada aos seus amigos que vão na estrada. São cerca de 30 e fazem parte da Associação de Trabalhadores da Câmara Municipal de Sátão, no distrito de Viseu.
«A logística também é muito importante», sublinha, explicando que «há colegas» que têm levado as refeições aos peregrinos com recurso à unidade móvel do município, mas também houve “direito” a churrasco numa paragem em Penacova.
Como conta ao Diário de Coimbra, a peregrinação da associação dos trabalhadores da autarquia saiu de Sátão sábado, às 4h00 da madrugada. «Temos feito uma média de 45/50 quilómetros por dia», adianta, referindo que, entre o grupo de peregrinos há muitos que vão a Fátima a pé pela primeira vez. É o caso do André, que, quando lhe perguntamos como está, não hesita em dizer, em jeito de brincadeira, que «dói tudo».
Será ao final da tarde de hoje, se não houver nenhum imprevisto, que o grupo chegará ao Santuário e expressará, com orgulho: «missão cumprida».
Até lá, Paulo Almeida estará sempre a postos para dar a ajuda necessária. Para além de mantimentos, pomadas para as pernas e para os pés ou roupa, não falta a palavra de incentivo, porque «nunca faltou tão pouco».
Há cerca de dois anos, Sérgio Ferreira, emigrante em França, esteve em coma durante um mês, devido a uma pancreatite. Felizmente, recuperou e, para agradecer, juntou-se ao grupo de amigos peregrinos de Paranho de Besteiros, Tondela, e está a caminho de Fátima, a pé, pela primeira vez.
A acompanhá-lo, Nuno Figueiredo, com a imagem da Nossa de Fátima aos ombros, num gesto de fé e agradecimento. É assim «há mais de 20 anos» e, se as pernas e a saúde deixarem, as peregrinações anuais são para continuar, com um pedido no coração: simplesmente, força.
Sérgio e Nuno fazem parte de um grupo de sete peregrinos, a que se juntam dois elementos no apoio, que saíram de Paranho de Besteiros domingo, ao bater das 00h00. «Andámos toda a madrugada e todo o dia até à entrada de Condeixa», explica, sem nunca perder o ritmo da caminhada. Barracão era o destino da etapa de ontem e hoje o grupo já estará presente nas celebrações da noite no Santuário de Fátima, onde estarão milhares de peregrinos oriundos de todo o país.

A caminhada de fé encheu, por estes dias, as estradas nacionais, criando uma verdadeira onda verde e laranja, num movimento que é também de partilha de histórias de vida. Há novos amigos que se fazem, palavras de incentivo ou um simples “de onde vêm?” e, entre dores e as bolhas que possam surgir nos pés, a esperança de chegar ao destino não os deixa desistir.
A chuva que foi caindo acabou por dificultar a vida aos peregrinos, no entanto, com maior ou menor dificuldade e com recurso a impermeáveis e guarda-chuvas, os devotos, pelo que o Diário de Coimbra foi acompanhando, não desistiram. Os cafés, restaurantes e pontos de apoio por onde passaram acabaram também por servir de abrigo.
A rezar, a conversar, a contar anedotas, em silêncio, a conversar… e a cantar. Cada um vai em peregrinação à sua maneira e um grupo de Vila Nova de Gaia, ao aproximar-se do restaurante Casa da Júlia, em Condeixa, cantava, alegremente, “Maria Joana”, dos Calema, Nuno Ribeiro e Mariza.
Laura Gomes é a “porta-voz” destes cerca de 20 peregrinos (mais três no apoio), que saíram de Coimbrões, Vila Nova de Gaia, quarta-feira à noite. É a estreia como peregrina e a camisola do campeão Futebol Clube do Porto nada tem a ver com promessas.
«Até ver, está a correr tudo bem. Com algumas dores, sacrifício… mas que remédio temos nós em aguentar até chegar», adiantou, numa pausa para “carregar baterias”.
Desde que se colocaram a caminho, têm feito «uma média de 45 quilómetros por dia». Ainda é cedo para dizer se volta a repetir, mas, para Laura Gomes não há dúvida: «é uma experiência de vida, mas, acima de tudo, uma aprendizagem».

Uns quilómetros mais atrás, à entrada de Condeixa, na esplanada do café reinava a boa disposição entre um grupo de 10 peregrinos da zona de Viana do Castelo, Barcelos e Várzea, ou melhor, nove peregrinas e o Bruno, o único elemento masculino.
Filomena Fernandes é a boa disposição “em pessoa” e nem parece que está na estrada desde sexta-feira, dia 8. A primeira etapa, até Vila Nova de Gaia, já tinha sido percorrida no feriado de 25 de abril, ficando a faltar cinco etapas: até Oliveira de Azeméis, Águeda, Coimbra, Redinha (Pombal) e, hoje, Fátima.
Para Filomena Fernandes, a peregrinação a Fátima acontece pela quinta vez. «Venho para agradecer. É uma semaninha de férias e agradecer. Está a correr lindamente. Não dói nada. É tudo psicológico», adianta.
Para a amiga Laurinda Amorim, é a segunda vez. «Venho agradecer», conta ao Diário de Coimbra. «A primeira vez, foi para cumprir uma promessa por uma cunhada minha que tinha um tumor na cabeça… correu tudo bem, ela está bem, com a minha família também está tudo bem, por isso, venho agradecer», explica.

Este grupo peregrina sem carro ou carrinha de apoio. «O táxi leva as malas de um lado para o outro», adianta Filomena Fernandes, já a pensar na chegada à tenda do Pinto Insufláveis, a dar apoio aos peregrinos na zona de Pombal, num gesto que já faz parte da história da empresa.
Pelos Caminhos de Fátima ou pelas estradas nacionais, até ao final do dia de hoje, chegam ao Santuário milhares de devotos. Para garantir a segurança dos peregrinos, estiveram empenhados na Operação Fátima 2026 cerca de 300 operacionais.
Carros de apoio a postos em permanência
De carro, de carrinha ou até de autocaravana. O apoio aos peregrinos é um pormenor que faz a diferença, especialmente quando estão na estrada homens e mulheres que têm pela frente vários dias de peregrinação.
Paulo Almeida é um dos que não deixa faltar nada aos seus amigos que vão na estrada. São cerca de 30 e fazem parte da Associação de Trabalhadores da Câmara Municipal de Sátão, no distrito de Viseu.
«A logística também é muito importante», sublinha, explicando que «há colegas» que têm levado as refeições aos peregrinos com recurso à unidade móvel do município, mas também houve “direito” a churrasco numa paragem em Penacova.
Como conta ao Diário de Coimbra, a peregrinação da associação dos trabalhadores da autarquia saiu de Sátão sábado, às 4h00 da madrugada. «Temos feito uma média de 45/50 quilómetros por dia», adianta, referindo que, entre o grupo de peregrinos há muitos que vão a Fátima a pé pela primeira vez. É o caso do André, que, quando lhe perguntamos como está, não hesita em dizer, em jeito de brincadeira, que «dói tudo».
Será ao final da tarde de hoje, se não houver nenhum imprevisto, que o grupo chegará ao Santuário e expressará, com orgulho: «missão cumprida».
Até lá, Paulo Almeida estará sempre a postos para dar a ajuda necessária. Para além de mantimentos, pomadas para as pernas e para os pés ou roupa, não falta a palavra de incentivo, porque «nunca faltou tão pouco».





