Eva tem apenas 8 anos e já gosta de colocar as mãos na massa para confecionar o famoso Bolo de Ançã ou não fosse ela neta de uma das mais conhecidas boleiras da terra, Aldina Rasteiro. A avó não teve mãos a medir para amassar e colocar no forno as dezenas de bolos que vendeu ontem na XXIII Feira do Bolo de Ançã e a pequena, à semelhança de tantas outras crianças, como o Tiago e o David, participaram no atelier infantil, uma das atrações do certame que ontem levou centenas de pessoas ao Terreiro do Paço.
Aldina Rasteiro e Eva são apenas um dos exemplos de uma paixão que vai passando de geração em geração em torno de um dos maiores símbolos da identidade gastronómica do concelho de Cantanhede e também da região.
Mas, em Ançã, quase em cada recanto da vila, há histórias de ligações ao Bolo de Ançã, que começaram com avós, bisavós, tias ou primas.
Que o diga Eliseu Henriques, de 30 anos, um boleiro entre boleiras, que aprendeu muito do que sabe com a avó, que ontem o acompanhou na feira, onde o jovem ançanense trabalhou no fabrico ao vivo do Bolo de Ançã, num mini-forno a lenha. Porque, se há algo que Eliseu faz questão é seguir todos os passos da confeção à moda antiga, por isso amassa à mão e a cozedura é sempre em forno de lenha.
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Um bolo, por norma, tem à volta de 500 gramas, no entanto, no certame Eliseu optou por preparar apenas miniaturas, pelas condições do espaço, mas maiores ou menores, a fila foi uma constante ao longo de todo o dia.
À frente da banca, a avó, Maria de Jesus, de 82 anos, uma das principais inspirações de Eliseu Henriques na arte de fazer o Bolo de Ançã. «Eu cresci com ela, foi criado com a minha avó. Ela, normalmente, está mais no meu stand de venda, porque aqui no fabrico ao vivo, costumo estar com a minha esposa, mas ela este ano não me pôde acompanhar, porque está grávida», explicou o boleiro, que se apresenta na feira, desde os 14 anos. Ontem, a participação acabou por ter «um gosto especial», porque está com a sua «raíz», quem o ensinou.
Quartas, sextas, sábados e domingo são os dias em que Eliseu produz Bolo de Ançã, atividade que vai conciliando com a atividade profissional nos Cafés Feb. «também é um gosto que eu tenho. São duas paixões», assume.
E qual é, afinal, o segredo do sucesso do Bolo de Ançã? Para Eliseu Henriques, a resposta é simples: «o segredo, para além do forno a lenha, da amassadura, é sempre a qualidade dos ingredientes. Temos de selecionar criteriosamente e não mexer na receita original», disse.
Também no stand de Natália Bahia, as orientações são idênticas e, mesmo sem a matriarca presente, as descendentes sabem de cor o que faz com que o Bolo de Ançã seja tão especial e que motiva apreciadores a percorrerem vários quilómetros para o comprar.
Teresa e Graça Almeida não tiveram de fazer uma viagem longa – são de Coimbra -, mas não perderam a oportunidades de visitar o certame pela primeira vez, aproveitando da melhor maneira o domingo.
O certame distingue-se também pelo artesanato e Ana Martins (criadora da marca Antius) lá esteve com miniaturas diversas em que o Bolo de Ançã é um dos elementos principais.
















