A Polícia Judiciária está, esta terça-feira de manhã, a realizar buscas na empresa municipal Águas de Gaia. Um ex-diretor da empresa pública e outros 12 suspeitos, entre eles empreiteiros e funcionários da empresa pública, foram detidos por suspeitas de corrupção, abuso de poder e lavagem de dinheiro. Há oito milhões de euros em obras sob suspeitas.
Em causa está um esquema de viciação de contratos públicos que altos quadros, funcionários e empresários terão posto em prática desde 2024 até aos dias de hoje.
Os inspetores estão a recolher documentação e equipamentos informáticos não só nas instalações da Águas de Gaia mas também nas residências dos suspeitos. Um ex-diretor ligado ao departamento de abastecimento foi detido por suspeitas de corrupção e, de acordo com informações recohidas pelo JN, será uma peça central da investigação da PJ e do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.
“Os factos indiciados revelam que os intervenientes estabeleceram, ao longo do tempo, um quadro relacional estável, funcionalmente orientado para a manipulação do processo decisório administrativo, no qual a contratação pública foi instrumentalizada como meio de obtenção de vantagens patrimoniais e não patrimoniais ilegítimas, com existência de práticas reiteradas e coordenadas destinadas a condicionar decisões, moldar procedimentos, antecipar resultados e neutralizar mecanismos de controlo, através da utilização de canais informais de comunicação, da exploração de relações funcionais e pessoais e da criação de expectativas de benefício futuro”, explicou a PJ em comunicado.
Desde 2024, o valor total de obras sob suspeita representa oito milhões de euros.
Almoço, dinheiro e viagens
O esquema passaria pela contratação de obras fictícias ou inflacionadas, sempre realizadas pelo mesmo grupo de empreiteiros. Em troca, alguns funcionários terão recebido dinheiro, almoços e viagens.
Pelo que apurámos, há pelo menos 50 buscas a decorrer para apreensão de elementos de prova. Estão previstas detenções. O anterior autarca, Eduardo Vítor Rodrigues, e o atual, Luís Filipe Menezes, não são visados na investigação.
“Além de elementos probatórios foram apreendidas viaturas de alta cilindrada, saldos bancários e instrumentos financeiros e três armas de fogo, bem como dezenas de milhares de euros em dinheiro”, explicou ainda a PJ.
Redação com JN.PT






