Duas portuguesas viajavam para o Brasil unicamente para regressarem a Lisboa com malas de mão carregadas de cocaína. Ambas foram detidas, ontem, domingo, com mais de 47 quilos de droga. Na operação “Premium Chek-in” foi também detido um terceiro elemento da organização criminosa responsável pelo tráfico de grandes quantidades de cocaína entre o Brasil e Portugal.
Quando, no domingo, o voo oriundo de Fortaleza, no Brasil, chegou ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, já os inspetores da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária (PJ) estavam atentos aos passageiros que, pouco depois, desembarcaram. Entre estes estavam duas portuguesas, ambas com 34 anos, que saíram do avião com duas malas de mão e dirigiram-se à zona de saída.
Porém, antes que conseguissem abandonar o aeroporto, foram detidas pela PJ, que, logo de seguida, confirmou que a bagagem das mulheres escondia mais de 47 quilos de cocaína. A droga estava distribuída por vários pacotes embrulhados em plástico e com o logótipo da marca de carros “Lexus” estampado. Segundo a PJ, a cocaína tinha uma “extrema pureza”, que permitiria aumentar substancialmente a quantidade a traficar na rua.
As diligências levadas a cabo pela PJ permitiram apurar que as “mulas” estavam ao serviço de uma organização criminosa dedicada a traficar grandes quantidades de cocaína para Portugal. No âmbito do esquema delineado, as duas mulheres viajavam para o Brasil e, alguns dias depois de lá aterrarem, regressavam a Lisboa já com a droga escondida na bagagem.
A PJ ainda não descobriu como é que as malas de mão passavam pelo raio x do Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins sem que a droga fosse detetada (suspeita-se que a organização contasse com a ajuda de um funcionário do aeroporto), mas o certo é que as “mulas” levavam a droga para o interior do avião sem entraves.
Máquinas de contar dinheiro apreendidas
Além das duas “mulas”, a PJ deteve ainda um terceiro membro da rede criminosa. Cabo-verdiano, de 35 anos, o homem foi surpreendido enquanto aguardava, no Aeroporto Humberto Delgado, pela chegada das mulheres para recolher e guardar a cocaína.
Na busca à sua residência, a PJ apreendeu 18 mil euros e máquinas de contar e acondicionar notas, o que indicia que o grupo criminoso lidava com elevas quantias de dinheiro.
O cabo-verdiano, assim como as portuguesas detidas, passaram a madrugada nos calabouços e foram levados a tribunal nesta segunda-feira. Ainda não são conhecidas as medidas de coação aplicadas pelo juiz de instrução criminal.
JN.PT





