Sismo de magnitude 7,4 na Colômbia provoca pelo menos 82 mortos; sete aeroportos inutilizados e lojas da Jerónimo Martins encerradas
Um sismo de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia esta segunda-feira, dia 10 de agosto, causando até ao momento pelo menos 82 mortos, danificando sete aeroportos e destruindo parcial ou totalmente habitações e edifícios públicos. O recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, convocou de imediato uma reunião de emergência e deslocou-se às zonas mais atingidas. O grupo português Jerónimo Martins tem cerca de 200 supermercados da insígnia Ara encerrados, sobretudo por falhas generalizadas no abastecimento de energia elétrica.
O tremor registou-se às 07h34 (hora local) — 13h34 em Lisboa, com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, na costa do Pacífico, conforme dados do Serviço Geológico Colombiano e noticiado pelo jornal El País.
O balanço de vítimas foi atualizado pelas autoridades locais: 27 mortos confirmados no departamento de Valle del Cauca (excluindo a cidade de Cali), quatro em Chocó, 18 no município de Pereira e três em Manizales.
A governadora de Valle del Cauca, Dilian Francisca Toro, descreveu a gravidade dos estragos: “Em El Cairo, cerca de 80% do concelho apresenta danos; em El Águila, o hospital colapsou; em Zarzal, há muitos feridos e o centro hospitalar está sobrelotado; em Cartago, foi necessário evacuar doentes”.
Em Cali, a terceira maior cidade do país, cerca de 30 estruturas ruíram com pessoas no interior. O presidente da câmara, Alejandro Eder, pediu ajuda urgente com equipas de resgate vindas de Bogotá e Medellín e apelou à população: “Mantenham a calma e evacuem os edifícios se detetarem fendas graves nas estruturas”. Também em Quibdó, capital de Chocó, foram registados feridos e danos significativos em edifícios.
O chefe de Estado colombiano assumiu pessoalmente a coordenação da crise: “Ordenei a instalação de um Posto de Comando Unificado para coordenar a resposta aos danos e apoiar os desalojados. Não estão sozinhos — o Estado está presente e a intervir”, escreveu na rede social X. O Governo declarou oficialmente a situação como desastre de caráter nacional, permitindo mobilizar recursos públicos com maior agilidade para as vítimas e recuperação — sem corresponder, contudo, a um estado de emergência económica e social, que daria poderes legislativos especiais ao Presidente.
Segundo Julio Fierro Morales, diretor do Serviço Geológico Colombiano, este é o sismo mais forte registado no país na última década; foram já detetadas duas réplicas, de magnitude 2,8 e 4,8, esta última amplamente sentida pela população.
A entidade Aerocivil (Aeronáutica Civil) informou que sete aeroportos ficaram danificados: inicialmente apurados Pereira, Manizales, Quibdó, Arménia, Cartago e Buenaventura, acrescentando depois o Aeroporto Alfonso Bonilla Aragón, em Cali. “Por segurança, todas as operações aéreas estão suspensas até conclusão da avaliação estrutural”, comunicou a agência.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português manifestou solidariedade com o povo e as autoridades colombianas, expressou condolências às famílias das vítimas e desejou rápida recuperação aos feridos, acompanhando atentamente a evolução da situação.
Impacto na operação da Jerónimo Martins
Uma fonte oficial do grupo português adiantou à Lusa que cerca de 200 lojas Ara e um centro de distribuição permanecem fechados, essencialmente por falta de energia e queda de produtos nas instalações. As cidades mais afetadas são Pereira, Manizales e Cali. Até ao momento, não há registo de colaboradores mortos nem infraestruturas totalmente destruídas, embora seja ainda prematuro apresentar um balanço completo dos prejuízos.
Redação com sapo.pt






