O Governo italiano decidiu esta segunda-feira prolongar por mais 15 dias a suspensão do acordo de Schengen com Espanha, mantendo pelo menos até meados de setembro os controlos nos portos e aeroportos para viajantes espanhóis.
O Ministério do Interior italiano indicou ter comunicado à UE o “prolongamento, por mais 15 dias, dos controlos nas fronteiras aéreas e marítimas com Espanha”, de acordo com um comunicado.
“A decisão foi tomada em consonância com a análise efetuada pelo Comité de Análise da Imigração e Segurança das Fronteiras”, acrescentou.
Segundo essa análise, persistem “os elementos de avaliação que estiveram na base da reintrodução, no passado dia 1 de agosto”, de controlos a viajantes oriundos de Espanha, designadamente a situação no enclave espanhol de Ceuta, no norte de África, que sofreu uma entrada em massa de migrantes entre 30 e 31 de julho, referiram as autoridades italianas.
O Governo italiano salientou, no entanto, que também está a ter “em conta as iniciativas já lançadas por Espanha, em conjunto com a União Europeia, para que a situação nessa zona possa caminhar para uma futura normalização”.
“As avaliações subjacentes à medida de prorrogação foram comunicadas pelo ministro do Interior, Matteo Piantedosi, ao homólogo espanhol, Fernando Grande-Marlaska, no decurso de uma conversa telefónica construtiva”, de acordo com a mesma nota.
Espanha retribui
O Governo espanhol anunciou, também, o prolongamento por mais 15 dias dos controlos de passageiros procedentes de Itália, em resposta à decisão italiana. Estes controlos, em portos e aeroportos, estão em vigor em Espanha desde 8 de agosto por um período inicial quer ia terminar em 8 de setembro, a que agora se vão somar mais 15 dias, disse o Ministério da Administração Interna espanhol.
O Governo italiano reintroduziu a 1 de agosto controlos em portos e aeroportos para viajantes oriundos de Espanha, na sequência da entrada irregular maciça de migrantes em Ceuta, numa decisão muito criticada por Madrid.
Depois de o executivo liderado por Giorgia Meloni (direita e extrema-direita) ter ignorado apelos de Espanha para levantar as restrições aos viajantes, o governo de Pedro Sánchez (esquerda) impôs de forma recíproca controlos aleatórios a viajantes oriundos de Itália, pelo menos até 7 de setembro, sendo provável o prolongamento face a esta decisão das autoridades italianas de manter a suspensão do acordo de Schengen de livre circulação de pessoas com Madrid.
A crise em Ceuta ocorreu no final de julho, quando mais de 70 000 migrantes entraram irregularmente na cidade autónoma espanhola, num período de 24 horas, tendo a grande maioria regressado a Marrocos nos dias seguintes.
As autoridades espanholas estimaram que permaneçam em Ceuta 5000 migrantes, 1200 das quais menores de idade, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
Redação com agências





