Uma investigadora chinesa que trabalha na Universidade de Coimbra (UC) há 20 anos enfrenta a separação do filho bebé, nascido na China, após o consulado português recusar por três vezes o pedido de visto para que a criança acompanhasse os pais em Coimbra.
A informação foi ontem avançada nas redes sociais, por Helena Freitas, Professora Catedrática de Biodiversidade e Ecologia da UC, num “desabafo” que visa pôr um ponto finla (feliz) numa história que está a separar por milhares de quilómetros uma mãe do bebé.
No longo texto publicado por Helena Freitas, é dito que a investigadora, que conquistou um contrato competitivo na Universidade de Coimbra, «regressou a Portugal para cumprir o seu compromisso profissional, enquanto o pai permaneceu na China a cuidar do bebé. A criança chora pela mãe, que vive à distância de muitos milhares de quilómetros a angústia da separação».
Na mesma publicação, a professora esclarece que o pedido do visto, essencial para reunir a família, «foi recusado três vezes pelo consulado português na China, apesar de os pais terem tido a situação de residência resolvida em Portugal e de terem preparado o regresso com uma casa em Coimbra».
Não há uma razão conhecida para esta recusa. Por isso, Helena Freitas sublinha a dificuldade de compreender e aceitar a falta de um caminho claro para a resolução desta situação, que causa sofrimento profundo à criança e à família. «Não posso aceitar que uma situação com estas consequências para uma criança continue sem uma resposta clara», afirma. Realça mesmo que «nenhuma família deveria depender da capacidade de mobilizar contactos ou de chegar a um ministro para conseguir ser ouvida e saber como proceder».
A investigadora destaca ainda que Portugal pretende atrair e fixar talento científico, «pelo que é fundamental garantir condições de vida que permitam a estes profissionais exercer o seu trabalho sem a angústia de uma separação familiar».
Em causa está a falta de um visto que não permite que o bebé venha para Coimbra. Vive na China com o pai a milhares de quilómetros da mãe
Se existirem obstáculos legais ou documentais, a família precisa que estes sejam explicados de forma clara, assim como o percurso para os ultrapassar. «A clareza, a diligência e a atenção às circunstâncias humanas têm de fazer parte da resposta das instituições», reforça Helena Freitas na publicação que, ontem à tarde, já tinha muitos comentários e partilhas, e que motivou a notícia do Diário de Coimbra publicada também ontem nas plataformas digitais, que poderão levar a mensagem ao destinatário desejado de forma a que se encontre uma solução para resolver esta questão.
O apelo é publicado é dirigido ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e às entidades competentes para que o caso seja analisado com urgência, esclarecendo os fundamentos das recusas e indicando o caminho legal que permita reunir a família, tendo em conta as necessidades e o bem-estar da criança.
«Escrevo por esta família e por outras que possam viver situações semelhantes, muitas vezes sem apoio para se fazerem ouvir. A confiança nas instituições constrói-se também na forma como respondem a quem atravessa momentos de maior vulnerabilidade», conclui no “desabafo”.
A terminar o texto, Helena Freitas deixa um pedido final: «uma resposta clara, atempada e humana, pois a vida desta criança está a acontecer agora».
A impotência de ver sofrer pessoas próximas
«Não pretendo substituir-me às entidades competentes na apreciação deste processo, nem contestar a legalidade das decisões tomadas, mas não consigo compreender nem aceitar que uma situação com estas consequências para uma criança continue sem um caminho claro para a sua resolução.
Esta situação acompanha-me todos os dias. Tenho procurado ajudar e sinto a impotência de quem vê sofrer pessoas próximas sem conseguir encontrar uma solução».
diariocoimbra.pt






