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“A esmagadora maioria dos portugueses está a trabalhar”

A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Rosário Palma Ramalho, menorizou esta quarta-feira o impacto da greve geral, adiantando que o impacto é reduzido principalmente no setor privado.

Aministra do Trabalho, Maria do Rosário Rosário Palma Ramalho, menorizou esta quarta-feira o impacto da greve geral, adiantando que o impacto é reduzido principalmente no setor privado. “O país está a trabalhar”, reiterou a governante, mas admitiu que “qualquer greve geral é grave” pelo impacto que tem na vida das pessoas.

“Dos dados que nós recolhemos neste momento e que nos foram transmitidos, por um lado, pelas confederações diversas dos vários setores da atividade privada e também pelas entidades públicas e também diretamente por grandes empresas, conclui-se que a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses está a trabalhar nos seus locais de trabalho“, disse a ministra do Trabalho, em conferência de imprensa, no Ministério, em Lisboa.

A governante adiantou que “outros propuseram trabalhar em regime de teletrabalho nas atividades que o permitem, como programação, obviamente, com os respetivos empregadores”.

“No setor privado, a adesão à greve dos trabalhadores é absolutamente residual e em algumas áreas mesmo nula. No setor industrial, todas as fábricas estão a trabalhar, nas áreas principais de produção em Portugal, estou a falar de têxtil, calçado, metalomecânica, toda a indústria está a trabalhar. De acordo com dados fornecidos pela CIP e por algumas empresas desse setor, no setor dos transportes, grandes superfícies e comércio, também as portas estão abertas, não houve qualquer perturbação no atendimento nas grandes superfícies, nem na logística, portanto, no transporte de bens e mercadorias, também se processou normalmente. Estes são dados que nos foram feitos chegar pela Confederação do Comércio e também pela APED”, detalhou.

No caso do turismo, “segundo dados que nos foram feitos chegar pela Confederação do Turismo de Portugal, não há qualquer perturbação na hotelaria, nem nas agências de viagens, evidentemente, por força da adesão na TAP, por exemplo, há efeitos indiretos, mas não na operação“.

“No setor agrícola, as notícias que temos dadas pela Confederação da Agricultura, pela CAP, são que a greve não teve qualquer expressão e que mesmo no setor das grandes empresas agrícolas, o funcionamento é absolutamente normal nas grandes áreas em que essas empresas operam. Na banca, falámos naturalmente com a Caixa de Depósitos, mas também com os principais bancos privados, todas as agências estão abertas e os serviços centrais estão a funcionar. Na construção, não houve qualquer efeito também”, adiantou.

Relativamente aos hospitais privados, a governante revelou que “não há perturbação, segundo dados da Associação Portuguesa dos Hospitais Privados, o funcionamento é normal e na prestação de serviços em outsourcing”.

Adesão é maior no setor público

“Isto são apenas alguns dados que obviamente têm que ser confirmados também ao longo do dia, mas que são já expressivos, são 11h30 da manhã, que evidenciam aquilo que eu disse há pouco, a esmagadora maioria dos trabalhadores. do setor privado está a trabalhar e nos seus locais de trabalho. Naturalmente, no setor público temos maior adesão, como também já sucedeu na greve de dezembro“, revelou a governante.

“Em todo o caso, queria dizer que no setor público, os serviços estão genericamente a responder em pleno ou em alguns setores, com destaque para os transportes e para a saúde, através dos serviços mínimos, que foram decretados e que estão, naturalmente, a ser cumpridos“, referiu ainda.

Em dezembro de 2025, a CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral apresentado pelo Governo PSD/CDS-PP, tendo sido a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.

Entretanto, a CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para quarta-feira contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.

A proposta de lei do Governo de revisão da legislação laboral contempla “mais de 50 alterações” ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, indicou já a ministra do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho.