A morte de Nemesio Oseguera Cervantes em operação militar gera instabilidade no México, mas o império fragmentado do CJNG ameaça sobreviver à perda do seu mentor.
Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, o implacável líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) e um dos homens mais procurados do mundo, morreu este domingo numa operação militar em Tapalpa, no estado de Jalisco. Antigo agente da polícia convertido em barão da droga, “El Mencho” era o principal rosto por detrás da crise do fentanil nos Estados Unidos, país que oferecia uma recompensa de 15 milhões de dólares (cerca de 13,8 milhões de euros) pela sua captura.
Desde a detenção de Joaquín “El Chapo” Guzmán, Oseguera era considerado o narcotraficante mais poderoso e esquivo do México. A sua morte já desencadeou vagas de agitação e bloqueios em várias zonas do país, confirmando o receio de que o desaparecimento do líder possa mergulhar a região num novo ciclo de violência.
Do submundo de Michoacán ao topo do Narcotráfico
Nascido em 1966, a trajetória de Oseguera confunde-se com a história do crime organizado moderno. Após uma passagem pelos EUA na década de 90 — onde cumpriu três anos de prisão por tráfico de heroína —, regressou ao México para servir nas forças policiais. A transição para o crime foi rápida: começou por chefiar os sicários do Cartel Milenio e, mais tarde, garantiu a segurança operacional do poderoso Cartel de Sinaloa.
A ascensão definitiva deu-se através de uma “estratégia diplomática de casamento”. Ao unir-se a Rosalinda González Valencia, irmã do líder do braço financeiro Los Cuinis, Oseguera herdou a linhagem e os recursos necessários para fundar o CJNG em 2010.
Um império de terror e “franchising”
Sob o comando de “El Mencho”, o cartel distinguiu-se por uma brutalidade sem precedentes. Em 2015, o grupo abateu um helicóptero militar com um lança-foguetes e, um ano depois, protagonizou o audaz rapto de um dos filhos de “El Chapo” num restaurante de luxo.
O CJNG não é apenas uma organização criminosa; é uma rede global presente em mais de 40 países. Com ligações a fornecedores de precursores químicos na China, o cartel controla portos estratégicos para a produção e exportação de metanfetaminas e fentanil, gerando lucros de milhares de milhões de euros.
O futuro após a morte do líder
A morte de Oseguera acontece num momento de pressão máxima sobre o governo mexicano, após o governo de Donald Trump ter classificado o CJNG como uma organização terrorista em fevereiro de 2025.
Contudo, os especialistas alertam que o fim de “El Mencho” pode não significar o fim do cartel. Estruturado como um modelo de “franchising”, o grupo é composto por cerca de 90 suborganizações independentes. “Esta fragmentação exige uma estratégia muito mais complexa para o desmantelamento total”, refere Eduardo Guerrero, consultor da Lantia Intelligence. Historicamente, a queda de um “capo” no México tem servido apenas para abrir caminho a sucessores mais jovens e, frequentemente, mais violentos.
Redação






