Pedro Duarte diz que a cidade do Porto está “pronta para reagir” no caso de cheias na zona ribeirinha, para já a principal ameaça. Tanto a câmara como as juntas de freguesia do Porto estão a recolher bens para a Região Centro. Associações estudantis também se mobilizaram.
Tanto a Câmara do Porto como as juntas de freguesia da cidade têm no terreno centros de recolha de bens não perecíveis para ajudar as populações afetadas pela tempestade Kristin, que na semana passada deixou um rasto de destruição nos distritos de Leiria e de Coimbra.
O centro de recolha da autarquia está instalado na antiga recolha da STCP em São Roque da Lameira (Rua da Fábrica Invencível), entre as 08h30 e as 18h00. A recolha começou na tarde de ontem, segunda-feira, e vai ser feita até amanhã, quarta-feira.
Nas juntas de freguesia, a recolha decorre também até amanhã, nos seguintes locais:
- Junta de Freguesia do Bonfim (Campo 24 de Agosto)
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00 - Junta de Freguesia de Campanhã (Rua Ferreira dos Santos, 57)
das 09h00 horas às 12h30 e das 14h00 às 17h30 - Junta de Freguesia de Paranhos (Rua Álvaro Castelões, 811)
das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 16h30 - Junta de Freguesia de Ramalde (Rua Igreja de Ramalde, 76-92)
das 09h00 às 17h00 - União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (Rua da Vilarinha, 1090)
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00 - União de Freguesias do Centro Histórico
– Rua de Gonçalo Cristóvão, 187, 1º andar
das 09h00 às 13h00 e das 14 às 17h00
– Rua Comércio do Porto, 7
das 9 às 13h00 e das 14h00 às 17h00
– Campo Mártires da Pátria, 22
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00
– Rua Oliveira Monteiro, 385
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00
– Rua Augusto Rosa, 198
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00 - União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (Rua Diogo Botelho, 75)
das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.
Estudantes solidários
Já esta terça-feira, o movimento associativo nacional também anunciou uma campanha com o mesmo objetivo solidário, promovida pelas associações académicas e de estudantes de várias academias do país.
De acordo com a Federação Académica do Porto, os pontos de recolha na Invicta estão instalados em várias faculdades. A saber: na Escola Superior de Biotecnologia da Católica, Escola Superior de Saúde, nas faculdades de Arquitetura, Ciências, Engenharia, Letras, Farmácia, Medicina, Psicologia e Ciências da Educação e no ICBAS – todas da Universidade do Porto -, e ainda no Instituto Superior de Engenharia e na Universidade Portucalense, sempre sob a responsabildiades das associações de estudantes locais.
Em ambos os casos o apelo é que sejam entregues bens como garrafões de água e alimentos não perecíveis (arroz, massa, conservas e enlatados, óleo, leite, bolachas, cereais, barritas de cereais e papas infantis), produtos de higiene (champô e gel de banho, fraldas e toalhetes, produtos de higiene oral e feminina). A iso somam-se e materiais e equipamentos como lonas e plásticos, telhas e telhões, silicone, areia, cimento, oleados, pás, luvas de construção, coletes refletores, geradores, mantas e cobertores.
Porto “preparado” e solidário
Com o país em estado de calamidade decretado até domingo e novas depressões a caminho – Leonardo é nome da que chegará hoje a Portugal -, Pedro Duarte levou o assunto à reunião de câmara desta terça-feira.
O autarca confidenciou que esta madrugada, no Porto, “estivemos muito próximos de ter um primeiro problema de cheia. Felizmente, foi evitado, por uns centímetros quase”, mas com os caudais do Douro nos níveis atuais e com a previsão de muita chuva nos próximos dias, “nada nos garante que não venhamos a ter ainda alguns problemas”, concluiu.
Nesse sentido, o presidente da Câmara do Porto assegurou que o município está preparado “para reagir no caso de cheias”, deixando um elogio às populações das zonas ribeirinhas” que “têm sido altamente colaborantes” e aos serviços e autoridades municipais ligadas à proteção civil. “Diria que nós, no Porto, dentro daquilo que nos é possível antecipar e dominar, estamos a responder com uma grande eficácia e competência”, afirmou aos vereadores.
O edil partilhou também que participou, esta segunda-feira, na qualidade de presidente do Conselho Metropolitano do Porto, numa reunião em Leiria com a Estrutura de Missão para Reconstrução da região Centro do País, anunciada no domingo pelo Governo, a par de um conjunto de medidas para apoiar as populações e empresas afetadas.
“Tive a oportunidade de estar ontem [segunda-feira] em Leiria numa reunião. Andei naquela região e é de facto impressionante. Nós ainda não temos bem noção do que ali aconteceu e das consequências do que ali aconteceu”, comentou Pedro Duarte.
“Aquilo que nos foi solicitado foi o apoio e ajuda do ponto de vista mais técnico”, nomeadamente de engenharia, explicou Pedro Duarte, que ficou com a missão de coordenar com os 17 municípios da Área Metropolitana o apoio necessário e que já está, algum dele, no terreno, fruto de iniciativas “bilaterais”. Além do ponto de situação, solicitou aos vereadores “uma autorização prévia” para responder aos pedidos que vierem a chegar da zona Centro.
Manuel Pizarro, do PS, elogiou a postura da autarquia e dos serviços camarários nesta ocasião e aproveitou para sugerir a realização de uma reunião extraordinária “mais à frente”, para avaliar “as circunstâncias da Proteção Civil no Porto”.
“Atónito” perante as “dezenas de milhares de portugueses que estão ao abandono”, o líder da bancada socialista quer “saber, caso aconteça uma situação destas no Porto, como é que se faz com os lares, com as escolas, com as pessoas ficarem sem telhado”. Numa cidade com histórico de cheias, “estamos preparados para o resto que poderá vir aí? O país manifestamente não está”, concluiu o vereador.
Até ao momento, estão contabilizadas dez vítimas mortais cujas causas de morte estão associadas à tempestade Kristin. Os prejuízos estão nesta altura estimados em mais de dois mil milhões de euros.






