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Brisa abdica de compensação do Estado por abatimento na A1: “Não queremos penalizar os contribuintes”

A Brisa não vai solicitar qualquer compensação ao Estado português pelo abatimento de terras na Autoestrada A1, na zona de Coimbra. A garantia foi dada pelo presidente da comissão executiva do grupo, António Pires de Lima, durante uma audição parlamentar, onde revelou que a obra de reparação ficará concluída esta quinta-feira, 26 de fevereiro.

“Não iremos tomar a iniciativa de pedir compensação ao Estado. Nesta hora de calamidade, e atendendo à materialidade dos factos, não queremos penalizar os contribuintes portugueses”, afirmou Pires de Lima na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação.

Cronologia do incidente

O incidente ocorreu no quilómetro 191 da A1, no dia 11 de fevereiro, na sequência da rutura de um dique no rio Mondego. De acordo com o responsável, a Brisa foi alertada pela Proteção Civil para o risco iminente, tendo procedido ao corte total da circulação entre Coimbra Sul e Coimbra Norte em apenas uma hora.

“Pelas 21h30, como resultado da pressão das águas sobre o muro do aterro contíguo ao viaduto, a laje de transição cedeu, provocando o abatimento da plataforma no sentido Norte-Sul”, explicou. Embora o prazo inicial de recuperação fosse de cinco a seis semanas, a intervenção foi acelerada, permitindo a conclusão dos trabalhos em apenas 15 dias.

Responsabilidades e custos

Apesar de as perdas para a Brisa superarem os 3 milhões de euros, Pires de Lima sublinhou que a empresa não pode ser responsabilizada por falhas em infraestruturas externas:

  • Gestão de recursos hídricos: A Brisa “não gere diques, canais de rega ou projetos de aproveitamento hidráulico”.

  • Manutenção do viaduto: O viaduto C do Mondego tinha sido alvo de requalificação entre 2023 e 2024 e não sofreu danos estruturais, provando a resiliência da obra da concessionária perante a intempérie.

A obra em números

Para reerguer a ligação entre Lisboa e o Porto após a abertura de uma “cratera” com 20 metros de largura e oito de profundidade, a Brisa mobilizou uma operação logística de grande escala:

  • Recursos humanos: Mais de 70 trabalhadores e técnicos em permanência no local.

  • Materiais: Deposição de 9 mil toneladas de material pétreo para conter a erosão.

  • Logística: 35 camiões percorreram mais de 80 mil quilómetros no transporte de rocha para o enrocamento.

Com a conclusão da obra prevista para amanhã, a Brisa aguarda agora a verificação de segurança por parte do IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) para reabrir totalmente a circulação na principal artéria rodoviária do país nos próximos dias.

Redação com Lusa