Documentos revelam que o magnata pagou a investigadores privados para ocultar provas, que podem comprometer figuras como o príncipe André ou Bill Clinton.
O predador sexual Jeffrey Epstein terá ocultado ficheiros e equipamentos informáticos em armazéns nos Estados Unidos, numa tentativa deliberada de obstruir a justiça e proteger a sua rede de contactos. A revelação é avançada pelo jornal britânico The Telegraph, que teve acesso a documentos privados que detalham uma operação de limpeza e ocultação de provas.
Segundo a investigação, o magnata — que se suicidou numa prisão de Nova Iorque em 2019, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores — contratou investigadores privados para retirar material da sua residência na Florida. Estes ativos terão sido transferidos para armazéns alugados pelo menos desde 2003, cujas rendas foram pagas pontualmente até ao ano da sua morte.
Provas fora do alcance das autoridades
A análise dos mandados de busca sugere uma falha crítica nas investigações: as autoridades norte-americanas nunca terão entrado nestes armazéns. Este cenário levanta a possibilidade de existirem provas inéditas que envolvam o círculo de amizades de Epstein, onde constam nomes como:
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André Mountbatten-Windsor, irmão do Rei Carlos III;
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Peter Mandelson, antigo governante britânico;
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Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro norueguês.
Embora o Departamento de Justiça dos EUA tenha libertado três milhões de ficheiros em dezembro passado, o conteúdo destes armazéns permanece uma incógnita que pode fazer oscilar o xadrez político e social internacional.
Detenção do Príncipe André em Inglaterra
A pressão sobre as figuras próximas de Epstein intensificou-se recentemente. Na passada quinta-feira, o príncipe André foi detido em Norfolk, no leste de Inglaterra, sob suspeita de má conduta em cargos públicos. Em causa estão atividades relacionadas com o seu período como representante especial do Governo para o comércio, no início da década de 2000. Embora tenha sido libertado, a investigação prossegue num momento em que o seu nome volta a surgir associado aos arquivos de Epstein.
Além da família real britânica, os ficheiros mencionam figuras de proa como Donald Trump, Bill Clinton, Elon Musk, Bill Gates e David Copperfield, embora, até à data, nenhum tenha sido alvo de acusação criminal no âmbito deste processo.
Redação com agência telegraph.co.uk






