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Caso Epstein: Jack Lang recusa demitir-se da presidência do Instituto do Mundo Árabe e alega «naivismo»

O antigo Ministro da Cultura francês afirmou que conhecia Jeffrey Epstein como um homem «apaixonado por arte e charmoso», assegurando que, «assim que» a natureza criminosa do norte-americano foi revelada, «todas as relações foram interrompidas».

Jack Lang excluiu a possibilidade de se demitir da presidência do Instituto do Mundo Árabe (IMA), conforme anunciou esta quarta-feira, 4 de fevereiro, aos canais RTL e BFM-TV. O político alegou «naivismo» quanto às suas ligações com o financeiro Jeffrey Epstein, garantindo que «nunca» teve conhecimento dos seus crimes sexuais à época da relação entre ambos. Isto apesar da condenação de Epstein, em 2008, a dezoito meses de prisão por auxílio à prostituição de menores — uma sentença resultante de um polémico acordo judicial quando o financeiro enfrentava uma pena de prisão perpétua.

Citado em documentos que revelam proximidade com o multimilionário acusado de crimes sexuais, Jack Lang afirmou ser «sem dúvida um pobre ingénuo, um pobre inocente, um pobre débil», explicando que não solicitava o «registo criminal» às pessoas com quem se cruzava. Descreveu o Epstein que conheceu (falecido na prisão em 2019) como alguém «culto», reiterando o corte imediato de contactos após as revelações criminais.

Contas “offshore” e financiamento Relativamente à presença do seu nome nos estatutos de um fundo offshore criado por Epstein em 2016, com uma dotação de 1,4 milhões de euros — revelada pelo portal Mediapart —, o antigo ministro declarou-se «estupefacto», classificando a inclusão do seu nome como um «atrevimento». Atribuiu a iniciativa a uma «ideia generosa» da sua filha para a aquisição de obras de arte, evocando uma «ingenuidade gritante». «Nem um cêntimo foi para o meu bolso ou para o da Caroline», martelou. Note-se que a sua filha se demitiu recentemente de um sindicato de produtores de cinema após a divulgação de documentos que ligam a família ao criminoso sexual.

Por outro lado, Lang reconheceu ter solicitado pessoalmente ao financeiro a quantia de 57 897 dólares para uma associação de amigos, destinada a um filme sobre os «anos Lang-Mitterrand». «Fui eu», admitiu. «Solicitar um mecenas não é um crime», justificou, acrescentando que Epstein também deu um «auxílio» num filme sobre a sua falecida filha, Valérie.

«Branco como a neve» Questionado sobre um e-mail de 2018 enviado a Epstein, que mencionava crianças e «novas sexualidades», Lang referiu tratar-se, provavelmente, de um «projeto de filme» do qual não tem memória. Sobre a petição de 1977 que defendia a despenalização de relações sexuais com menores, admitiu que «talvez tenha cometido um erro», mas recordou que não estava sozinho, citando intelectuais como Jean-Paul Sartre e Michel Foucault. Declarando-se «branco como a neve», afirmou não ter arrependimentos de ter conhecido o «primeiro Epstein», o entusiasta das artes.

Anteriormente, em declarações à agência AFP, Jack Lang já tinha afirmado «assumir plenamente os laços» criados numa altura em que nada faria prever a rede de criminalidade. «Sinto-me profundamente chocado por ser associado a um criminoso através de insinuações. Estou decidido a processar judicialmente quem propague declarações ameaçadoras, de ódio ou difamatórias a meu respeito», concluiu, referindo ter conhecido Epstein através de Woody Allen.

Redação com lemonde.fr