O Chega deixou de ter qualquer vereador na Câmara Municipal do Funchal, a maior autarquia da Região Autónoma da Madeira. A desvinculação total foi consumada recentemente com o anúncio de Luís Filipe Santos, que decidiu cessar de imediato a sua militância. A decisão surge poucas horas após o DIÁRIO ter noticiado, em manchete, a saída de Jorge Afonso Freitas.
Em declarações ao DIÁRIO, Luís Filipe Santos justificou a rutura com a inexistência de condições para prosseguir no projeto regional. “Deixaram de existir condições políticas, éticas e estratégicas para continuar integrado no atual projeto do Chega na Madeira”, afirmou, sublinhando que não se trata de divergências pontuais, mas sim de uma “degradação do ambiente político interno e da ausência de estabilidade”.
Críticas à estrutura regional
O vereador foi contundente nas críticas à liderança de Miguel Castro, apontando a estrutura regional como o principal entrave ao trabalho autárquico:
“Quando a estrutura partidária deixa de criar condições para servir a população e passa a ser um fator de bloqueio, a única atitude coerente é agir. Concordo com o Jorge [Afonso Freitas] porque não podemos compactuar com práticas, decisões e orientações que consideramos prejudiciais à credibilidade institucional.”
Luís Filipe Santos confirmou já ter comunicado a decisão ao Presidente da Câmara Municipal do Funchal, reforçando que a estrutura do partido na Madeira “não está preparada nem atualizada para as exigências da política”.
Os motivos da rutura
Entre os detonadores da crise, o vereador destacou:
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Polémica interna: Divergências sobre a escolha de uma assessora pela estrutura regional.
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Isolamento nacional: A ausência da Madeira numa convenção autárquica nacional do partido. “A informação foi-nos literalmente ocultada”, acusou.
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Personalismo: Segundo o autarca, o Chega na região tornou-se um partido que “serve apenas três ou quatro pessoas”, apelando a uma reflexão profunda dos militantes sobre a liderança atual.
Futuro como independente
Apesar da saída do partido, Luís Filipe Santos garantiu que manterá o seu mandato na autarquia, passando a exercer funções como independente. “Nunca me poderei arrepender do trabalho que eu e a minha equipa desenvolvemos, mas o Chega Madeira foi uma desilusão”, desabafou, assegurando que continuará a apresentar propostas e a trabalhar pelos funchalenses até ao fim do mandato.
Redação com dnoticias.pt






