A AlgarOrange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve – estimou hoje que os citricultores da região enfrentarão perdas entre 25% e 40% na produção, resultado direto do mau tempo que assolou o país nas últimas semanas.
Após uma consulta preliminar aos produtores e operadores regionais, a associação identificou prejuízos acentuados. Embora os valores finais ainda estejam a ser apurados, a quebra genérica situa-se nos 25%, chegando aos 40% em determinadas variedades de fruto.
Causas e Impactos na Produção
“Esta situação deve-se ao prolongamento das condições meteorológicas adversas, com elevados teores de humidade que potenciam a podridão e a queda de fruta”, explicou a AlgarOrange em comunicado. A associação alerta que, além da fruta já no chão, uma quantidade substancial permanece na árvore mas já está podre, o que resultará em novas quedas nas próximas semanas.
Para além do excesso de humidade, vários pomares foram fustigados por fenómenos extremos de vento, chuva e granizo. Esta escassez de oferta, aliada à dificuldade de colheita, deverá refletir-se numa subida dos preços na produção.
Dificuldades Logísticas e Apelo a Apoios
Os custos de colheita dispararam devido às condições extremas no terreno. “As equipas trabalham ao frio e à chuva, em solos saturados de água onde os tratores se afundam, obrigando a que os frutos sejam retirados manualmente”, justifica a associação.
Perante este cenário, a AlgarOrange apela aos produtores para que reportem os danos à CCDR Algarve (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional), com conhecimento à FEDAGRI. Este passo é considerado essencial para pressionar o Governo a abrir avisos de apoio específicos para o setor.
Contexto Nacional: Balanço do Temporal
O impacto no setor agrícola surge num contexto de grave crise meteorológica em Portugal, marcada pela passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta.
-
Vítimas Humanas: Registam-se 16 vítimas mortais, centenas de feridos e dezenas de desalojados. A última vítima confirmada foi um homem de 72 anos, no concelho de Pombal.
-
Danos Materiais: A destruição abrange habitações, empresas, infraestruturas elétricas e cortes de vias de comunicação, com especial incidência nas regiões do Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
-
Resposta Governamental: O Governo prolongou a situação de calamidade em 68 concelhos até ao próximo domingo e anunciou um pacote de medidas de apoio que pode ascender aos 2,5 mil milhões de euros.
Redação






