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De sem-abrigo a líder escolar em Los Angeles: quem é Alberto Carvalho, o português na mira do FBI?

Alberto Carvalho nasceu no Bairro Alto, em Lisboa, num lar marcado pela pobreza. Filho de uma costureira e de um zelador com apenas o terceiro ano de escolaridade, cresceu num bairro social dos Olivais com cinco irmãos. As condições precárias — tintas com chumbo, fumo concentrado e janelas fechadas — ditaram a morte prematura do pai e de dois irmãos.
Com apenas 17 anos, no início da década de 1980, partiu para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Quatro horas após aterrar em Manhattan, já lavava pratos. Sem falar inglês e com o visto expirado, trabalhou na construção civil e chegou a dormir durante semanas numa carrinha UHaul, debaixo de uma ponte. “Enquanto menor indocumentado, fui sem-abrigo. É preciso ser um para reconhecer outro”, recordou em 2014.
A viragem deu-se graças a um professor que o ajudou a legalizar-se e a prosseguir estudos. Formou-se em Biomedicina, tornou-se docente de Físico-Química e, mais tarde, ascendeu a superintendente das escolas públicas de Miami-Dade, cargo que ocupou durante 14 anos. Em 2022, assumiu a liderança do Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (LAUSD), o segundo maior dos EUA, com mais de meio milhão de alunos. Sob a sua direção, registaram-se melhorias nos exames e maior adesão a cursos avançados.
A sua carreira foi também marcada por polémicas: em Miami, vieram a público e-mails sobre uma relação imprópria com uma jornalista; em 2018, aceitou liderar o sistema escolar de Nova Iorque, mas recuou em direto televisivo. Ainda assim, foi distinguido com várias condecorações, incluindo a Ordem de Mérito Civil (2012) e a Ordem de Isabel a Católica (2021).
Agora, o nome de Alberto Carvalho surge ligado a uma investigação federal. O FBI executou mandados de busca na sua residência e na sede do LAUSD. Embora os detalhes não tenham sido revelados, o Los Angeles Times avançou que o caso poderá estar relacionado com a empresa de inteligência artificial AllHere, que colaborou com o distrito escolar na criação de um chatbot para estudantes e famílias. Carvalho ainda não se pronunciou.

 

Redação com agências