Elliston Berry tinha apenas 14 anos quando a sua vida mudou drasticamente. Um colega de escola criou e partilhou uma imagem íntima falsa sua — um deepfake de nudez gerado por Inteligência Artificial (IA). Sem saber a quem recorrer e perante a passividade de uma escola sem ferramentas para lidar com o problema, Elliston demorou nove meses a conseguir remover as imagens da internet.
Hoje, aos 16 anos, a jovem texana transformou a sua experiência traumática numa missão global: garantir que nenhum outro jovem tenha de enfrentar este pesadelo sozinho.
Educar para proteger Em parceria com especialistas em cibersegurança, Elliston ajudou a desenvolver um curso de formação online gratuito. Com a duração de apenas 17 minutos, o programa é dirigido a alunos, pais e professores, focando-se em áreas críticas:
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Reconhecimento: Como identificar imagens e vídeos manipulados por IA;
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Literacia Digital: Compreender os riscos de sextortion (extorsão sexual);
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Ação: Orientações práticas sobre como denunciar e remover conteúdos das plataformas.
Um crime em expansão O abuso através de deepfakes explícitos tornou-se uma das formas mais comuns de assédio digital, facilitado pela proliferação de ferramentas de IA acessíveis. De acordo com um estudo da organização Thorn, um em cada oito adolescentes conhece pessoalmente alguém que foi alvo deste tipo de conteúdo.
Mudança na lei e na consciência A luta de Elliston não se ficou pela educação. A jovem foi uma das vozes ativas na promoção do Take It Down Act, uma legislação recentemente promulgada nos EUA que criminaliza a partilha de imagens íntimas sem consentimento e obriga as plataformas a removerem estes conteúdos num prazo de 48 horas.
“Isto não é uma brincadeira; é um crime com consequências devastadoras”, alerta Brian Long, diretor da Adaptive Security. Para Elliston, a prioridade é clara: “É fundamental promover conversas sobre este tema. O silêncio e a falta de preparação das escolas só protegem os agressores.”
Redação






