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Duplicação no SNS: Utentes com médico de família recorrem cada vez mais ao setor privado

Um estudo recente revela um fenómeno inesperado no sistema de saúde português: a grande maioria dos utentes que recorre a consultas de medicina geral e familiar no setor privado já dispõe de um médico de família atribuído no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os dados contrariam a perceção de que a procura pelo privado é motivada exclusivamente pela falta de cobertura na rede pública.

O paradoxo da escolha

Embora Portugal enfrente uma crise de falta de médicos de família para cerca de 1,6 milhões de portugueses, os indicadores mostram que o recurso ao privado não provém apenas de quem está “a descoberto”. Pelo contrário, utentes que têm médico no seu Centro de Saúde optam por pagar consultas externas em hospitais privados, muitas vezes devido à celeridade no agendamento e à conveniência de horários.

Esta duplicação de cuidados levanta questões sobre a eficiência do sistema e sobre os motivos que levam os cidadãos a não utilizarem o recurso que já têm garantido no Estado.

Conveniência vs. Confiança

Especialistas do setor apontam vários fatores para este comportamento:

  • Dificuldade de contacto: A demora em conseguir linha com os Centros de Saúde ou em agendar consultas de rotina.

  • Seguros de saúde: O aumento exponencial de portugueses com seguros de saúde privados facilita o acesso a especialistas fora do SNS por custos reduzidos (copagamentos).

  • Gestão de tempo: A possibilidade de realizar consultas ao final do dia ou ao fim de semana no setor privado, algo raro nas Unidades de Saúde Familiares (USF).

“Muitos utentes mantêm o médico de família no SNS para a prescrição de exames mais caros ou para a gestão de doenças crónicas a longo prazo, mas utilizam o privado para episódios de doença aguda ou consultas de rotina mais rápidas”, refere o relatório.

Impacto no Sistema Nacional de Saúde

Esta tendência sugere que o SNS está a perder a sua função de “porta de entrada” prioritária para uma fatia da população que tem capacidade financeira ou seguros. O desafio para o Ministério da Saúde passa agora por recuperar a confiança e a acessibilidade dos cuidados primários, garantindo que o médico de família no público seja a primeira e mais eficaz opção para todos os utentes.

Redação com noticiasdecoimbra.pt