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Incêndios. Governo abre os cordões à bolsa para quem fica de prevenção: bombeiros passam a receber 84 euros por dia

Cada elemento destas equipas passará a receber 84 euros por dia, mais nove euros do que os 75 pagos em 2025, uma medida revelada durante a apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para 2026

O Governo anunciou um aumento na compensação atribuída aos bombeiros que permanecem de prevenção nos quartéis para reforçar o combate aos incêndios rurais. Cada elemento destas equipas passará a receber 84 euros por dia, mais nove euros do que os 75 pagos em 2025, uma medida revelada durante a apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para 2026, realizada em Ponte da Barca.

A subida, destacou esta quinta-feira o ‘Correio da Manhã’, foi a principal novidade da Diretiva Financeira associada ao combate aos fogos divulgada na cerimónia, que contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, do novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, e de outros membros do Governo. Apesar do aumento, continuam por divulgar outros valores relevantes da diretiva, nomeadamente os montantes destinados às refeições em serviço ou os subsídios para compensar avarias em viaturas e equipamentos usados no combate às chamas.

 

Eduardo Correia, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, considerou positiva a atualização da compensação, embora sublinhe que o valor corresponde a um período de disponibilidade permanente. “É do nosso agrado um aumento desta dimensão, apesar de dizer respeito a 24 horas de trabalho diárias, e não a oito como acontece, por exemplo, com o salário mínimo nacional”, afirmou ao jornal diário. O responsável acrescentou que os restantes detalhes financeiros deverão ser conhecidos dentro de uma ou duas semanas, altura em que a Liga dos Bombeiros apresentará a sua posição sobre a proposta governamental.

O aumento surge no contexto da preparação do DECIR 2026, que reforça a capacidade nacional de resposta durante o período crítico de incêndios, entre 1 de julho e 30 de setembro. Durante essa fase, estarão mobilizados 15.149 operacionais, 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, consolidando o reforço progressivo de meios registado na última década. O dispositivo inclui também o aumento das Equipas de Intervenção Permanente para 770, num total de 3.864 elementos, acompanhado por investimento na formação e qualificação operacional.

Na apresentação do dispositivo, Luís Montenegro deixou um aviso claro: o reforço de meios deve traduzir-se em melhores resultados no terreno. O primeiro-ministro sublinhou que, com mais viaturas, máquinas de rasto, equipas e disponibilidade operacional, o país não pode aceitar resultados iguais ou piores no combate aos incêndios.

“Se temos muito mais meios, não nos podemos conformar com os mesmos resultados. Queremos melhores resultados”, afirmou o chefe do Governo, insistindo que a prioridade deve ser sempre a proteção das pessoas e do património.

Montenegro defendeu ainda uma atuação rápida no terreno, alertando para a necessidade de evitar bloqueios administrativos em momentos críticos. “Se houver dúvidas numa operação, a ordem é avançar. Deixem-se de burocracias e tecnocracias porque o povo não merece esperar por causa de uma vírgula numa regra”, declarou.

Também o ministro da Administração Interna destacou medidas destinadas a reduzir o risco de incêndios antes do verão. Luís Neves explicou que foi aprovado no Parlamento um regime temporário para as áreas integradas de gestão da paisagem que permitirá remover rapidamente o material lenhoso derrubado pelas tempestades. Caso os proprietários não intervenham, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas poderá avançar com o corte, remoção e transporte desse material até 1 de junho, recorrendo a contratação simplificada em situações de urgência.

Segundo o ministro, esta madeira acumulada representa um perigo acrescido, podendo transformar-se rapidamente em combustível para novos incêndios se não for retirada a tempo.

A escolha de Ponte da Barca para a apresentação do dispositivo não foi casual. O concelho foi um dos mais afetados pelos incêndios em 2025, e o Governo quis sinalizar que a prevenção e a preparação antecipada são essenciais para reduzir o impacto das futuras épocas de fogos.

Redação com sapo.pt