Portugal regista uma tendência preocupante no aumento das Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST). Dados recentes das autoridades de saúde revelam que patologias como a sífilis, a gonorreia e a clamídia estão a crescer de forma transversal na sociedade, desafiando a ideia preconcebida de que estas infeções se limitam apenas aos grupos mais jovens.
O relaxamento no uso do preservativo e a perceção de que muitas destas doenças têm cura fácil são apontados por especialistas como as principais causas para este cenário. Contudo, o alerta é claro: o aumento não se restringe aos adolescentes. Verifica-se um crescimento significativo de diagnósticos na população acima dos 50 anos, muitas vezes devido à falta de literacia em saúde sexual nesta faixa etária e à ausência de campanhas direcionadas.
De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), o diagnóstico precoce continua a ser a ferramenta mais eficaz. Muitas destas infeções são assintomáticas numa fase inicial, o que facilita a transmissão inadvertida a parceiros sexuais. O reforço do rastreio nos centros de saúde e em unidades especializadas é agora uma prioridade para inverter a curva de contágio.
Além do impacto direto na saúde individual, o SNS (Serviço Nacional de Saúde) enfrenta também o desafio da resistência bacteriana, particularmente no caso da gonorreia, o que torna os tratamentos convencionais menos eficazes. A prevenção, através do uso de métodos de barreira e da realização periódica de testes, permanece como a primeira linha de defesa contra uma epidemia silenciosa que atravessa gerações.
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