Os presidentes das câmaras municipais de Tomar e Ferreira do Zêzere alertaram esta segunda-feira para um aumento significativo do risco de incêndios rurais no Centro do país, na sequência da passagem da depressão Kristin, que deixou milhares de árvores derrubadas e inúmeros caminhos rurais e florestais obstruídos, dificultando o acesso dos bombeiros.
A região Centro, tradicionalmente uma das mais afetadas pelos incêndios no verão, enfrenta agora problemas adicionais que poderão agravar o cenário nos meses mais quentes. A destruição causada pelo mau tempo da semana passada está a criar grandes acumulações de material lenhoso no terreno, aumentando a carga combustível.
“Isto vai criar um verdadeiro pasto para incêndios”, alertou o presidente da Câmara Municipal de Tomar, Tiago Carrão, sublinhando as dificuldades no acesso a zonas isoladas e a necessidade urgente de limpeza dos caminhos, sobretudo nas imediações das habitações.
“Temos muito trabalho pela frente e não sei se será possível fazê-lo a tempo”, admitiu o autarca.
Também o presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, manifestou preocupação, considerando que o problema dificilmente será resolvido antes do verão. “Não vamos ter capacidade para desobstruir as vias vicinais ou as estradas florestais a tempo da época de maior risco”, afirmou.
Segundo o autarca, a necessidade de canalizar recursos para a reparação de habitações danificadas pela tempestade irá retirar meios às operações de limpeza florestal. Bruno Gomes defendeu ainda que a possibilidade de retirar valor económico da madeira caída poderia acelerar o processo.
“Se fosse possível aproveitar o rendimento das árvores que estão no chão, teríamos a garantia de que as empresas avançariam rapidamente”, explicou, acrescentando que, sem esse incentivo, “é humanamente impossível garantir que todas as vias florestais fiquem libertas”.
O volume de árvores derrubadas é tal que, segundo o autarca, não é viável proceder a uma limpeza rápida com maquinaria pesada, uma vez que se trata de “árvores atrás de árvores”. A esta situação soma-se a manta morta que permanecerá nos solos, aumentando ainda mais o risco de propagação do fogo.
“Nós já estávamos num ponto de saturação no concelho. Sabemos que, de poucos em poucos anos, ocorrem incêndios de grande dimensão, e esta situação vai exponenciar de forma muito significativa esse risco”, concluiu Bruno Gomes.
Redação





