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Lagarde rejeita imposto sobre fuga de capitais e prefere incentivos ao investimento na Europa

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, manifestou-se hoje contra a criação de um imposto sobre o capital que sai da Europa, defendendo, em alternativa, o reforço de incentivos para que o investimento privado permaneça no mercado europeu.

“Sou mais a favor do incentivo do que do imposto. Penso que funciona melhor”, afirmou durante um debate na 62.ª Conferência de Segurança de Munique (MSC), na Alemanha. Segundo Lagarde, o fluxo de capital já está a dar sinais positivos: “Se observarmos o volume de capital de risco investido atualmente, especialmente em setores-chave onde os rácios price-to-earnings e price-to-book estão a subir consideravelmente, percebemos que o dinheiro está a chegar.”

A líder do BCE destacou que a inovação na Europa atravessa um momento de auge, algo que os fundos de capital de risco já identificaram. Sublinhou ainda que 37% das empresas europeias já adotam Inteligência Artificial (IA), com foco na IA generativa, superando ligeiramente a taxa de adoção nos Estados Unidos.

O Despertar do Mercado Interno

Lagarde enfatizou que o mercado interno europeu “está a despertar”. Embora o crescimento do PIB da Zona Euro tenha sido de 1,5% em 2025, a responsável notou que este dinamismo foi impulsionado pelo consumo e investimento interno, compensando o impacto negativo das exportações.

A presidente mostrou-se otimista quanto à concretização da União de Poupança e Investimento na União Europeia em 2026, uma iniciativa crucial para canalizar a poupança dos cidadãos para investimentos produtivos dentro do bloco.

“Não vou mencionar a famosa União dos Mercados de Capitais, mas noto que os responsáveis políticos estão a levar o tema mais a sério”, comentou, referindo-se ao projeto lançado em 2015 que esteve estagnado durante uma década. Para Lagarde, as medidas previstas para 2026 já não são meras promessas: incluem a revitalização do mercado de titularização, uma supervisão mais apertada no mercado único e a criação de novas contas de poupança e investimento para pequenos retalhistas.

Redação