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Lisboa: Diogo tinha acabado de pedir Edite em namoro quando o ex-companheiro a matou

O namorado da mulher assassinada pelo ex-companheiro na Avenida de Ceuta, em Lisboa, revelou que Edite vivia em sobressalto. Era constantemente ameaçada e perseguida. No domingo, poucas horas depois de ter aceite um pedido de namoro, foi morta com seis tiros à porta da casa onde vivia com os filhos menores.

Edite tinha acabado de iniciar uma nova etapa na sua vida sentimental quando foi violentamente assassinada na madrugada de segunda-feira, 2 de fevereiro. O crime foi cometido pelo antigo companheiro, descrito como «possessivo», que não aceitava o fim da relação.

Em declarações à TVI, Diogo, o atual namorado, revelou que foi dormir com «o coração cheio» após o pedido de namoro ter sido aceite. Horas depois, acordou para um pesadelo: a filha de 15 anos da vítima — que era motorista da Carris — ligou-lhe com a pior notícia possível.

«Fui jantar com ela e com os miúdos, fomos comprar a comida e jantámos em família. Depois fomos dar uma volta os dois. Ela esteve comigo até às 23h. Ia levantar-se às 03h30 para ir trabalhar e eu fui dormir feliz, com uma mensagem carinhosa dela. Adormeci por volta da 01h e acordei às 05h com a filha a ligar-me: “Diogo, preciso de ti, ele matou a minha mãe”», recordou emocionado.

O crime: emboscada num descampado Edite foi atingida por seis disparos, e não quatro, como inicialmente foi avançado. O homicida aguardava-a escondido num descampado junto à residência, na Rua das Amoreiras/Avenida de Ceuta, onde a vítima vivia com o pai, o irmão e os dois filhos, de 15 e 8 anos.

«Ela ia para as traseiras do prédio, onde tinha deixado o carro. Pelo que me disseram, nem chegou a abrir a porta. Ele disparou logo dois tiros, imobilizou-a e “finalizou” quando se aproximou», explicou Diogo, acrescentando que uma testemunha viu o suspeito a fugir numa viatura após as detonações.

Um historial de perseguição e medo A família e os amigos nunca tiveram dúvidas sobre a identidade do agressor. Edite vivia aterrorizada. «Ela acordava com medo. Via um carro semelhante ao dele e ficava logo em pânico. Na sexta-feira, ele furou-lhe os pneus do carro e enviava mensagens constantes: “Se não estás comigo, não estás com ninguém”. Era completamente paranoico», descreveu o namorado.

O agressor, também ele motorista da Carris, encontrava-se de baixa psicológica há cinco meses. Após o crime, fugiu para o Algarve, mas a colaboração de uma colega da vítima foi crucial para a Polícia Judiciária (PJ) localizar o rasto do homicida.

Edite tinha realizado recentemente o sonho de ser motorista de autocarros e tentava recuperar a alegria após a morte da mãe e de uma relação anterior conturbada. Acabou por entrar para a trágica estatística das vítimas de feminicídio em contexto de violência doméstica.

Após ser detido, o suspeito, de 36 anos, terá confessado o crime às autoridades. O homicida arrisca agora a pena máxima em Portugal: 25 anos de prisão.

Redação com noticiasaominuto