O Parque Zoológico Europaradise, em Montemor-o-Velho, enfrenta graves prejuízos devido à tempestade Kristin e ao mau tempo persistente, que ameaçam não só as infraestruturas como também o bem-estar dos animais
O proprietário, Agostinho Pedro, alerta para uma situação crítica: “Se não houver apoios, provavelmente vou deixar, vou abandonar. Já não tenho assim muito, já tenho uns anos valentes que pesam, e há 30 anos que estou nesta e estou um bocadinho desmoralizado.”
Segundo o levantamento feito no parque, os danos ultrapassam os 100 mil euros, valor que poderá não ser suficiente para reparar infraestruturas, retirar árvores caídas e assegurar condições seguras aos animais. “Não foi só quedas de árvores, as árvores caíram em zonas onde estão alguns animais em cativeiro”, explica Pedro.
Apesar de as perdas de animais serem inferiores às registadas após a tempestade Leslie, cerca de 30 animais morreram. “A maioria foi pavões, porque temos um grupo que anda à solta. As árvores onde estavam a pernoitar caíram em cima deles… foram massacrados por outras árvores”, relata o proprietário. Alguns animais permanecem stressados e vulneráveis, sobretudo devido ao frio e à chuva, que dificultam a recuperação.
O parque, que normalmente permanece aberto todo o ano, teve de fechar em outubro devido ao mau tempo. Pedro alerta para os custos contínuos: “A alimentação dos animais custa cerca de 300 euros por dia. Calculando os dias em que não estamos abertos, são 9 mil euros por mês. E não fatura nada, é complicado, porque nós nunca tivemos ajuda.”
Entre os animais afetados estão macacos capuchinhos castanhos, que perderam parte do habitat quando uma árvore caiu, criando uma “ponte” improvisada. “Eles andam a passear, mas estão bem. Agora temos que limpar para depois arranjar o sistema para eles regressarem a casa”, explica Pedro. “Otelo” é um macaco conhecido naquele espaço por ter “um familiar” a entrar no filme “Piratas das Caraíbas” e o seu habitat está ameaçado.
O proprietário denuncia ainda que os caminhos do parque estão bloqueados por árvores caídas, tornando o cuidado diário dos animais mais difícil e perigoso: “Tenho que levar sacos e baldes às costas por centenas de metros, porque os caminhos estão interrompidos. Sem apoio, não consigo continuar.”
O Europaradise, que ao longo de 30 anos recebeu mais de 2 milhões de visitantes, corre risco de encerramento se não houver intervenção: “Somos uma mais-valia para a zona, mas não somos reconhecidos. Se não houver ajuda, não dá mais”, conclui Agostinho Pedro.



noticiasdecoimbra






