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Meta acaba com mensagens criptografadas no Instagram

O Instagram vai ficar sem sistema de criptografia de mensagens a partir de maio, devido à pouca adesão. A medida pode colocar em causa a privacidade da ferramenta em causa, mas as autoridades e organizações de defesa dos direitos das crianças defendem que beneficiam a segurança online de menores de idade.

A Meta, empresa responsável pelo Instagram, anunciou o fim das mensagens privadas criptografadas ponta-a-ponto na rede social, a partir de 8 de maio de 2026. A medida vem sendo equipada e reclamada por grupos de defesa da segurança infantil e diversas organizações de segurança como o FBI e a Interpol.

Segundo a empresa, esta decisão deve-se à pouca adesão à funcionalidade no Instagram. “Muito poucas pessoas optaram por utilizar a criptografia ponto-a-ponto das mensagens privadas, portanto vamos remover esta opção do Instagram nos próximos meses”, informou um porta-voz. A funcionalidade era opcional, sendo que o usuário precisava de ativação manual, estando também disponível apenas para algumas regiões do Mundo.

Por outro lado, no WhatsApp, também pertencente ao Meta, a criptografia é definida como padrão. “Quem continuar a enviar mensagens com a criptografia ponto-a-ponto pode fazê-lo no Whatsapp”, declarou o porta-voz.

A importância da criptografia

A encriptação ponto-a-ponto garante que as mensagens privadas trocadas entre utilizadores, como texto ou chamadas, apenas podem ser acedidas pelos interessados. O sistema entrega uma chave apenas aos dispositivos utilizados, sendo que, quando uma mensagem ou chamada é enviada, apenas dispositivos com chaves correspondentes podem desbloquear o sinal, garantida a privacidade de ambos os usuários.

Nos últimos anos, este sistema tem vindo a ser amplamente criticado, especialmente por grupos de defesa da segurança infantil e uma aliança de organizações de segurança como o FBI, a Interpol e as autoridades do Reino Unido e da Austrália. Estas entidades argumentam que o sistema criptográfico é uma barreira à segurança digital de menores de idade.

A porta-voz do gabinete do Comissário de Segurança Digital da Austrália (“eSafety”) declarou ao jornal britânico “The Guardian” que a encriptação é fundamental para a proteção da privacidade dos utilizadores, mas que, quando é aplicada, as plataformas devem responsabilizar-se e responder a situações de risco. “Quando a criptografia ponta-a-ponta é interrompida sem medidas de segurança adequadas, pode aumentar os riscos de segurança e impedir a identificação de perigos como a exploração sexual infantil, o terrorismo e o extremismo violento” declarou o porta-voz.

Segurança ou interesses económicos?

Por outro lado, o responsável pela política da organização australiana sobre direitos digitais “Digital Rights Watch”, Tom Sulston, declarou à mesma publicação que esta medida está principalmente relacionada com interesses económicos e de apresentação das plataformas, e não tanto com a segurança dos utilizadores. “O facto de o WhatsApp manter o sistema de encriptação sugere que o Meta está a tentar distanciar ainda mais as redes sociais de plataformas de mensagens – a principal distinção é que, nas redes sociais, os utilizadores podem conhecer-se, enquanto, nas mensagens, é necessário já conhecer uma pessoa antes.

A Meta enfrentou, desde janeiro, um processo por “armazenar e analisar” mensagens de WhatsApp de usuários, depois de Mark Zuckerberg, CEO da organização, ter proferido declarações falsas sobre a privacidade e segurança das mensagens enviadas na plataforma.

Com JN.PT