O Ministério Público (MP) instaurou um inquérito para investigar a morte de uma grávida de 34 anos e da sua filha recém-nascida no Hospital da Horta, na ilha do Faial, Açores. Segundo a Antena 1 Açores, o objetivo da investigação é apurar se os óbitos resultaram de uma eventual negligência ou de uma quebra nos protocolos hospitalares.
As mortes ocorreram há precisamente uma semana, na madrugada de terça-feira, 10 de fevereiro. Ângela, natural da ilha do Pico, encontrava-se em pleno trabalho de parto quando se sentiu mal. De acordo com os relatos disponíveis, a enfermeira que a acompanhava terá ausentado do quarto para procurar um saco para enjoos; ao regressar, a grávida já não apresentava sinais vitais.
Contradições e Exames Periciais
Embora a RTP-Açores indique que a causa provável tenha sido uma paragem cardiorrespiratória, a confirmação oficial depende dos resultados das autópsias. Estas realizaram-se na tarde de segunda-feira, após sucessivos adiamentos.
O desfecho foi duplamente trágico: após tentativas de reanimação da mãe sem sucesso, a equipa médica focou-se na bebé. Contudo, a posição do feto terá dificultado a extração, que acabou por ser realizada via cesariana. Quando a bebé foi finalmente retirada, já se encontrava sem vida.
Um cenário de luto e consternação
O caso gerou uma onda de choque na região. Ângela, descrita como uma jovem ativa e sociável, já era mãe de uma criança de quatro anos. A tragédia familiar é acentuada pelo facto de a jovem ter perdido a mãe, vítima de doença oncológica, apenas duas semanas antes. Por se encontrar na reta final da gravidez, os médicos aconselharam-na a não viajar para o funeral da progenitora.
Questionamentos ao Sistema de Saúde
O incidente reacendeu o debate sobre a eficácia dos meios de saúde na Região Autónoma dos Açores. Nas redes sociais e nos comentários às notícias, multiplicam-se os desabafos e as críticas à assistência prestada.
O Notícias ao Minuto contactou o Hospital da Horta para obter esclarecimentos — nomeadamente sobre o tempo que a grávida permaneceu sem assistência direta após se sentir mal —, mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta.
O funeral de mãe e filha realiza-se esta terça-feira, 17 de fevereiro, na ilha do Pico.
Redação com Antena 1 Açores






