Viúva do internacional português descreve, na primeira pessoa, a angústia e o choque da madrugada do acidente fatal. No livro “Diogo Jota – Nunca Mais é Muito Tempo”, partilha ainda boas memórias.
A madrugada de 3 de julho de 2026 mudou para sempre a vida de Rute Cardoso. Antes da tragédia, a noite foi marcada por convívio com amigos, como o craque do Liverpool tanto apreciava. O grupo reuniu-se num centro comercial do Porto para assistir ao filme “O Match Perfeito”. “Disse-lhe para irmos ao cinema, uma coisa que já não fazíamos há muito. Nem me lembrava da última vez que isso tinha acontecido”, recorda Rute no livro “Diogo Jota – Nunca Mais é Muito Tempo”, de José Manuel Delgado.
A seguir, “percebemos que ainda estavam duas coisas por fazer antes de regressarmos a Inglaterra: comer nas roulottes e ir ao sushi. Fomos àquelas que se encontram perto da ponte D. Luís, sentámo-nos na margem do Douro e ficámos ali na galhofa”, partilha a viúva, acrescentando: “Era noite de amigos, de tradições, de coisas simples, das que nunca mudaram entre nós, e que nunca foram atrapalhadas pela fama ou pela visibilidade. Os amigos constituem sempre o centro. São o sítio, a casa.”
Horas depois, a normalidade deu lugar à preocupação. Mensagens não entregues e chamadas sem resposta começaram a aumentar a angústia. “Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar no pátio, que é grande, da casa da minha irmã”, relata Rute.
A madrugada do choque
Quando percebeu que algo não estava bem, Rute Cardoso recorreu a um tio que vive em Espanha e tinha contactos na polícia de trânsito: “Ouvi o meu tio dizer: “Sim, são dois irmãos”. Era a certeza, forte e dura de que algo havia acontecido.” Pouco depois, chegou a notícia devastadora: “De repente, o meu tio pediu-me que lhe passasse o Nuno, o meu cunhado. Ouvi o meu tio dizer-lhe: “Os corpos estão a ser levados”. Acho que ele acrescentou “para a morgue”, mas a minha cabeça parou ali. “Corpos?””
A confirmação oficial veio por telefone através de um agente da polícia espanhola: “Declaro o óbito de Diogo José Teixeira da Silva, nascido em 4 de dezembro de 1996”. Rute demorou a deixar cair uma lágrima. “Continuava em negação, acreditando verdadeiramente que aquilo não podia ser verdade”, confessa.
Diogo Jota seguia de carro com o irmão André para Santander quando tudo aconteceu, depois de terem sido desaconselhados a viajar de avião devido a uma cirurgia recente de Diogo a um pneumotórax. O objetivo era apanhar um barco para Inglaterra, mas a viagem terminou em tragédia. Quando o tio percebeu que algo grave tinha ocorrido, avisou Rute, que imediatamente pediu aos pais de Diogo que se deslocassem à casa da irmã. Duas psicólogas do INEM estiveram presentes para apoiar a família enquanto aguardavam a confirmação oficial das mortes de Jota e do irmão, André Silva.
“Diogo Jota – Nunca Mais é Muito Tempo”, da Cultura Editora, entrou em pré-venda a 9 de abril e será lançado oficialmente a 30 de abril. A obra reúne testemunhos de familiares e amigos, mostrando não apenas a carreira do jogador, mas também o impacto profundo da sua morte no círculo próximo. Diogo Jota deixou três filhos ainda menores.






