A divulgação de cerca de 3,5 milhões de documentos da investigação a Jeffrey Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, no início de fevereiro, voltou a agitar a esfera pública internacional. Entre figuras da realeza e da política mundial, surgem várias referências a Portugal, que vão desde governantes e diplomatas a escalas aéreas nos Açores e menções a processos mediáticos como a Casa Pia.
Luís Amado e Carlos Pires: A vertente diplomática
O nome de Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2006 e 2011, surge em listas de personalidades estrangeiras enviadas por Epstein ao então líder do banco Barclays, Jess Staley, em outubro de 2010. O ex-governante socialista já reagiu à SIC Notícias, classificando a associação como “ridícula” e assegurando: “Nunca vi esse senhor na minha vida”.
Também Carlos Pires, atual embaixador de Portugal em Singapura e à data adjunto de Luís Amado, aparece numa troca de mensagens com o financeiro norte-americano. Epstein terá convidado o diplomata a visitar Nova Iorque, ao que Pires respondeu com cortesia, referindo esperar a visita de Epstein a Portugal “muito em breve”.
Ao Correio da Manhã, o embaixador sublinhou que o contacto foi “meramente circunstancial” e fruto das suas funções oficiais, repudiando qualquer “associação caluniosa” ou ataque à sua honra.
Maria Gomes de Melo: O quotidiano em Paris
Outra cidadã portuguesa mencionada é Maria Gomes de Melo, casada com o antigo mordomo de Epstein em Paris, Valdson Vieira Cotrin. O seu nome consta em diversas reservas de voos entre Nova Iorque e a capital francesa. Em declarações ao jornal The Telegraph, Maria de Melo afirmou que, em duas décadas de trabalho, nunca presenciou comportamentos impróprios com menores nas residências do milionário.
A escala nos Açores e a “Ligação Casa Pia”
A vertente logística do caso toca também o arquipélago dos Açores. O avião privado de Epstein, conhecido como “Lolita Express”, terá realizado pelo menos quatro escalas na ilha de Santa Maria entre 2002 e 2003.
Mais surpreendente é a menção ao processo Casa Pia e ao desaparecimento de Madeleine McCann. Os documentos revelam uma denúncia enviada às autoridades norte-americanas em 2019, sugerindo que “milionários americanos” viajavam para Portugal em jatos privados para abusar de menores do orfanato português, estabelecendo um paralelo com os contornos do caso Epstein.
Redção com noticiasaominuto






