Segundo a investigação divulgada pelo mesmo jornal, e citado pelo Correio da Manhã, o dossier reúne 4.212 páginas, 411 fotografias, 38 vídeos e 11 ficheiros áudio. Entre o material analisado encontram-se imagens de videovigilância e a transcrição integral do julgamento, elementos que ajudam a reconstituir passo a passo a investigação policial e judicial.
As trocas de mensagens no Facebook mostram que Carlos Castro e o modelo Renato Seabra conheceram -se a 15 de outubro de 2010, quando tinham 65 e 20 anos, respetivamente. De acordo com a confissão posterior do jovem modelo de Cantanhede, o primeiro beijo aconteceu nesse mesmo dia.
Documentos incluídos no processo indicam ainda que o cronista tentou impulsionar a carreira do jovem modelo nos Estados Unidos, enviando um email a uma amiga em Newark para marcar reuniões em agências de modelos em Manhattan. Fotografias dos primeiros dias da viagem mostram momentos descontraídos e aparentemente felizes entre os dois.
As imagens captadas pelas câmaras do hotel revelam que, na véspera do crime, ambos chegaram ao alojamento já em clima de tensão. No dia seguinte, a discussão manteve-se. Emails analisados pela investigação indicam que Carlos Castro procurava antecipar o regresso a Lisboa poucas horas antes de ser assassinado, a 7 de janeiro.
Durante o julgamento, Renato afirmou que nunca tinha tido comportamentos violentos, dizendo que as brincadeiras físicas entre ambos eram habituais, mas sem agressividade. O arguido declarou não conseguir explicar o que o levou a agir daquela forma naquele dia.
Segundo os elementos do processo citados pelo Observador, o crime ocorreu no quarto situado no 34.º piso do hotel. Seabra terá agredido o cronista com extrema violência, provocando fraturas graves no rosto, utilizando também um televisor e uma cadeira. A vítima foi ainda mutilada com um saca-rolhas.
Após o homicídio, o modelo foi encontrado a deambular pelas ruas de Nova Iorque. A investigação policial recolheu inúmeras provas no local, incluindo os objetos usados nas agressões, vestígios de sangue pertencentes aos dois homens e impressões digitais.
A 21 de dezembro de 2012, Renato Seabra, então com 22 anos, foi considerado culpado de homicídio em segundo grau por um tribunal norte-americano. Foi condenado a uma pena entre 25 anos e prisão perpétua, cumprida numa prisão de segurança máxima próxima da fronteira com o Canadá, frequentemente apelidada de “Pequena Sibéria” devido às condições rigorosas e ao perfil dos reclusos.
De acordo com a mesma fonte, o condenado terá já protagonizado duas tentativas de suicídio durante o período de reclusão.
NDC