Estudo revela que fenómenos de calor extremo aumentaram três dias por década em cidades como Havana e Santo Domingo, com temperaturas sentidas a superar os 46°C.
As Caraíbas, célebres pelas águas cristalinas e paisagens paradisíacas, enfrentam uma nova e severa realidade: ondas de calor cada vez mais intensas, frequentes e duradouras. Um estudo liderado pela Universidade de Albany (Nova Iorque) analisou as variações climáticas da região entre 1971 e 2025, traçando as causas e tendências destes fenómenos.
Publicada na revista Geophysical Research Letters, a investigação destaca que Cuba, Haiti, Porto Rico e República Dominicana são as zonas mais afetadas. “As Caraíbas estão particularmente vulneráveis a eventos de calor extremo”, afirma Jorge González Cruz, coautor do estudo. O investigador explica que a localização tropical, aliada à escassa cobertura de nuvens durante estes períodos, maximiza a radiação solar à superfície, disparando as temperaturas.
A equipa apurou que o calor extremo aumentou cerca de três dias por década em centros urbanos como Havana ou Port-au-Prince. Além do aquecimento global, o fenómeno El Niño é apontado como um fator agravante, acrescentando dois dias extra de calor intenso por temporada.
Para Frederick Boakye Oppong, autor principal do artigo, os resultados evidenciam uma “ameaça crescente e imediata à saúde pública”. González Cruz reforça a urgência de agir: “O calor extremo nas Caraíbas não é um risco futuro; está já a aumentar rapidamente”, apelando a investimentos urgentes em monitorização climática e estratégias de mitigação.
Redação com sapo.pt





