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Património organístico de Coimbra “faz” dela a Capital Mundial do Órgão

O órgão do Seminário Maior de Coimbra faz-se ouvir com regularidade, todos os meses. A este junta-se a mais cinco órgãos na cidade e região, que são alguns dos mais importantes órgãos históricos da Península Ibérica

Mais uma vez, a música fez-se ouvir no órgão de tubos da Igreja do Seminário Maior. Foi o quarto concerto integrado no Ciclo de Recitais de Órgão, desta feita, dedicado a Carlos Seixas, organista e compositor natural de Coimbra.

Pelas mãos talentosas do maestro Paulo Bernardino, as tocatas de Carlos Seixas fizeram-se ouvir, dando vida ao órgão, que foi construído em 1762 por Juan Fontanes de Maquera, e recuperado por Dinarte Machado.

É para dar a conhecer este valioso órgão de 1.500 tubos, que se encontra quase original, que se realizam estes concertos, com periodicidade mensal. Sempre de casa cheia, como foi possível verificar no último concerto, estando já agendado o próximo para 11 de fevereiro, que também será orientado por Paulo Bernardino, organista titular da Sé Catedral e da Capela da Universidade há mais de 30 anos, maestro e investigador há mais de duas décadas, que acredita, com a maior das convicções que «Coimbra reúne condições excepcionais para dar um salto qualitativo no seu ecossistema cultural, para se afirmar como a Capital Mundial do Órgão». Apenas precisa de uma «estratégia cultural, fortalecida por infraestruturas, equipas e projetos que permitam valorizar o património organístico da cidade e da região», afiança o maestro.

E é Paulo Bernardino que explica que Coimbra possui alguns dos mais importantes órgãos históricos da Península Ibérica. «Aos quatro órgãos funcionais da cidade (Santa Cruz, Sé Nova, Seminário Maior e Capela da Universidade) acrescem os extraordinários órgãos dos Mosteiros de Lorvão e Semide.

Paralelamente, mais de 20 órgãos da cidade permanecem completamente silenciados ou inoperacionais, constituindo um património notável, mas subaproveitado», explica Paulo Bernardino, que confessa não perceber como é que Coimbra «não tem sabido aproveitar todo este potencial», referindo que «ao contrário de cidades como Braga, Santarém, Porto ou Lisboa, com instrumentos muito mais modestos, Coimbra não tem ainda uma política estruturada de preservação, estudo e programação organística».

Nesse sentido, Paulo Bernardino não desiste e confessa que, de há vários anos a esta parte, tem procurado apresentar às entidades competentes, os seus projetos de valorização deste património, mas, infelizmente, não tem tido muita atenção. Uma das propostas que Paulo Bernardino já apresentou passa «pelo investimento num órgão moderno, com vários teclados e pedaleira, que pudesse ser instalado numa das Sés ou no magnífico Convento de São Francisco. Esta é uma condição essencial para acolher repertórios sinfónicos e contemporâneos, reunindo assim condições singulares para se tornar, de forma séria e duradoura, a capital mundial do órgão».

Para tal, Paulo Bernardino defende a ativação da rede organística existente e a criação de três órgãos complementares, um na Sé Velha, que se destinaria a difundir o património musical do Românico ao Barroco, outro na Sé Nova, para o período do Romantismo à modernidade e um terceiro órgão, neste caso sinfónico, no Convento São Francisco para grande repertório coral-orquestral.

 

Com diariocoimbra.pt