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Pediu a uma desconhecida para ser a sua guia turística na Europa. Depois apaixonaram-se

Hank queria conhecer a Polónia, a terra dos seus antepassados. Encontrou em Gosia, uma desconhecida contactada quase ao acaso, muito mais do que uma guia turística

As viagens anteriores de Hank Nuwer à Europa não tinham corrido propriamente bem.

Uma vez, em Bruxelas, ficou hospedado num “bairro terrível” e depois tentou conduzir, perdeu-se e teve dificuldades em navegar por um labirinto de ruas secundárias.

“Fui mandado parar pela polícia três vezes”, recorda.

Outra tentativa de visitar a Polónia, a terra dos seus antepassados, falhou antes mesmo de começar.

“Cometi muitos erros e nunca sequer lá cheguei”, conta Hank à CNN. “Estraguei completamente essa primeira tentativa, perdi vários depósitos não reembolsáveis e quase desisti desse sonho por causa desse fiasco e da experiência nada agradável na Bélgica.”

Mas, em 2015, já na casa dos 50 anos, Hank continuava a sonhar conhecer a Polónia. Achava que a solução para os seus desastres de viagem era encontrar um guia turístico que o ajudasse a lidar com as diferenças culturais, as barreiras linguísticas e a ligar-se à história da sua família.

“Essa era a ideia – ver a Polónia do meu avô. Sentir-me emocionado por ela”, afirma Hank.

O avô de Hank tinha emigrado para os Estados Unidos no início do século XX, quando a Polónia era governada pela Rússia.

“Tudo o que sabia do meu avô sobre a Polónia e os tempos russos era que eles fugiram com balas a voar por todo o lado”.

Hank, que era professor de jornalismo no estado norte-americano do Indiana, andava há alguns anos a tentar aprender polaco. Pelo caminho, tinha expandido a sua rede polaca no LinkedIn, ligando-se a pessoas interessantes e com interesses semelhantes. Decidiu então percorrer os seus contactos e pesquisar no Google para encontrar alguém que o pudesse guiar por Varsóvia.

Contactou a contabilista Małgorzata Wróblewska, conhecida como Gosia, quase ao acaso. Acabou por ser a candidata perfeita, tendo vivido toda a vida na cidade, tal como a mãe e a avó materna antes dela.

“Ele queria alguém realmente envolvido com a cidade para lhe mostrar Varsóvia por dentro”, conta Gosia à CNN.

“Escolhi-a do nada”, afirma Hank. “E se ela tivesse dito que não, provavelmente teria perguntado a outra pessoa.”

Um convite surpreendente

Gosia não respondeu de imediato. Quando recebeu a mensagem, ignorou-a. Não era guia turística profissional e a sugestão de Hank parecia, no mínimo, estranha.

Mas no dia seguinte voltou a pensar na mensagem. E no outro também. Havia algo naquela proposta do desconhecido americano que a intrigava.

“Pensei: ‘Meu Deus, talvez esteja apenas presa à rotina de fazer sempre a mesma coisa todos os dias'”, recorda.

Gosia, então na casa dos 40 anos, adorava conhecer pessoas novas, mas o seu círculo de amigos tinha diminuído porque passava grande parte do tempo livre a cuidar dos pais idosos e doentes. Esta era uma oportunidade para interagir com alguém novo e fazer algo diferente.

Aceitou mostrar a cidade ao professor americano.

“Decidi: ‘Está bem, porque não?'”.

Apesar de Hank ser um desconhecido e o pedido incomum, ele tinha uma presença online suficiente para tranquilizar Gosia de que era legítimo.

Tinha aparecido várias vezes na televisão americana a falar sobre a sua área de especialização: o problema das praxes nas universidades dos EUA. Escreveu três livros sobre o tema, que investiga desde meados da década de 1970.

Gosia viu algumas dessas entrevistas e ouviu Hank falar, sentindo-se tranquilizada pelo seu carisma caloroso e autoritário.

Começou então a planear um dia completo de visita a Varsóvia, garantindo que apenas visitariam locais públicos.

Quando Hank desceu as escadas até ao átrio e viu Gosia a sorrir e a acenar, demorou um momento a perceber que ela era a sua guia turística. E depois ficou imediatamente impressionado. Foi algo parecido com amor à primeira vista.

Fiquei completamente deslumbrado, mas tentei não o mostrar” – Hank sobre o momento em que conheceu Gosia

Hank e Gosia encontraram-se pela primeira vez no átrio do hotel de Hank em Varsóvia. Enquanto Gosia tinha visto várias entrevistas televisivas de Hank e o reconheceu de imediato, Hank só tinha como referência a fotografia de perfil do LinkedIn de Gosia – e estava um pouco desfocada, pouco nítida.

“Fiquei completamente deslumbrado, mas tentei não o mostrar”, recorda.

Os dois apertaram as mãos e começaram a passear por Varsóvia. Gosia era simpática, divertida, encantadora e informativa. Quanto mais ela falava, mais Hank se sentia intrigado. Tentou esconder os sentimentos, preocupado em não parecer “um tipo assustador”.

Em vez disso, concentrou-se na emoção de finalmente explorar Varsóvia e seguir os passos do avô.

“Ela levou-me a todos os monumentos, vimos tudo na cidade, andámos por todo o lado…” lembra Hank. “Fomos a, quê, três museus diferentes? Mostrou-me um mapa da Polónia, como mudou, como era quando o meu avô lá viveu.”

Ao contrário de Hank, Gosia não sentiu faíscas instantâneas no átrio do hotel. Mas, à medida que o dia avançava, ficou surpreendida com o quão confortável se sentia com aquele desconhecido americano.

“Desde o início tivemos uma conversa muito boa”, considera. “Naquele primeiro dia em Varsóvia, senti que até o silêncio não era um problema entre nós.”

Gosia e Hank, fotografados aqui numa visita posterior a Varsóvia, criaram uma ligação naquele primeiro dia juntos na cidade polaca. Gosia diz que ficou impressionada com “como até o silêncio era agradável” na companhia de Hank. (Natalia Wróblewska)

Sentia uma facilidade natural na presença de Hank. Pareciam estar na mesma sintonia. Não se preocupava com a forma como era vista, nem sentia necessidade de preencher todos os momentos de silêncio. Enquanto apanhavam elétricos e caminhavam lado a lado, às vezes apenas olhavam um para o outro e sorriam. Admiravam as vistas juntos e observavam a reação um do outro à paisagem da cidade.

“Às vezes víamos algo e olhávamos apenas um para o outro, para a reação”, afirma Gosia. “Isso era incrível.”

Hank também ficou impressionado com essa sensação de conforto.

“Há uma muralha em Varsóvia, a muralha antiga, e nós os dois sentámo-nos nela. Contei-lhe algumas coisas sobre mim, sobre o meu passado, e depois ela fez o mesmo… Era uma conversa que não se tem com alguém num primeiro encontro”, refere.

Hank contou a Gosia que era divorciado e tinha um filho adulto. Ela disse que nunca tinha sido casada, mas tinha uma filha adulta a viver no Reino Unido.

“Não foi uma conversa romântica, foi mais sobre quem éramos naquele momento”, afirma Hank.

Desde o início tivemos uma conversa muito boa. Naquele primeiro dia em Varsóvia, senti que até o silêncio não era um problema entre nós.” – Gosia sobre a ligação com Hank

Ele foi honesto com Gosia sobre as partes menos glamorosas da sua vida. As partes que não se descobrem no Google. As partes que normalmente não se partilham quando se tenta impressionar alguém.

“Eu não tinha encontros há muito, muito, muito tempo”, conta Hank. “Tinha um cão maluco. Chamávamos-lhe Dogzilla. O verdadeiro nome dele era Casey e era o meu companheiro constante. Fazia musculação, corria com ele. E depois trabalhava. Essa era a minha vida.”

Por sua vez, Gosia confidenciou a Hank que cuidava dos pais idosos – e que a sua vida social, antes bastante ativa, tinha praticamente desaparecido.

“Chegava a casa, dava-lhes o jantar, deitava-os, e depois ia ao ginásio. E era sempre assim, o ano inteiro”, recorda.

Hank ouviu-a com empatia e conseguiu identificar-se com as dificuldades dela.

“A minha mãe tinha morrido de Alzheimer pouco tempo antes. Falámos mesmo a sério.”

No final do dia em Varsóvia, Gosia e Hank despediram-se. Ele ia ficar na cidade mais alguns dias, mas Gosia passaria o fim de semana em Portugal, de férias com a filha.

Voltaram a encontrar-se no final desse fim de semana e prometeram manter a amizade. Ambos acreditavam sinceramente nisso. Afinal, Hank estava fascinado por Gosia. E ela tinha ficado impressionada com “como até o silêncio era agradável” na companhia dele.

Nova ligação em Chicago

Quando Hank regressou aos Estados Unidos, ele e Gosia começaram a trocar emails. Depois passaram a falar ocasionalmente ao telefone. Pouco tempo depois, as chamadas tornaram-se diárias.

“Falávamos todos os dias”, lembra Gosia. “Tornou-se uma rotina. Dava-nos prazer. Ambos esperávamos ansiosamente por essa conversa diária.”

Passaram-se alguns meses e a comunicação intensificou-se em frequência e profundidade. Gosia e Hank tornaram-se os maiores confidentes um do outro. Hank começou a pensar em como gostaria de mostrar a Gosia um pouco do Midwest americano, já que ela lhe tinha proporcionado um dia tão maravilhoso na sua cidade natal.

“Então, como amigo, convidei-a para vir aos Estados Unidos, a Chicago, no Dia de Ação de Graças”, afirma.

“E quando fui a Chicago para o Dia de Ação de Graças, percebemos que isto era mais do que amizade”, acrescenta Gosia.

A alegria e entusiasmo de se reencontrarem, aliados à constante comunicação durante a separação, tornaram o potencial romântico quase imediatamente óbvio.

Hank recebeu Gosia com um beijo na face e uma pulseira de tornozelo que escolhera para ela. Ela ofereceu-lhe alguns selos comprados na Grécia, para a coleção dele.

“Não acho que se possa apaixonar à distância, pode-se ficar encantado com alguém. O nosso encontro em Chicago – esse contacto direto – fez-me perceber que esta pessoa era a minha cara-metade”, afirma Gosia. “O cheiro, o toque… Que a presença desta pessoa é importante para mim.”

Passaram o dia e a noite em Chicago, ambos cada vez mais certos da ligação entre eles, embora nenhum verbalizasse os sentimentos. No dia seguinte viajaram para o Parque Nacional Starved Rock. A ligação começou a parecer inevitável.

“Em Starved Rock divertimo-nos imenso, falámos sem parar enquanto caminhávamos quilómetros. Cozinhei para ela na cabana”, recorda Hank.

 Um fim de semana em Chicago e na área circundante levou Hank e Gosia a tornarem-se mais do que amigos. Aqui aparecem fotografados juntos na Polónia. (Natalia Wróblewska)

Tinham reservado duas cabanas, mas acabaram por cancelar uma delas.

“Dissemos: ‘Podemos ficar só com um quarto?’ As coisas mudaram.’ Foi engraçado – embaraçoso, mas engraçado”, lembra Hank. “Não conseguia acreditar que isto estava a acontecer. De manhã fomos a um restaurante numa cabana de madeira e demos as mãos enquanto esperávamos pelo empregado. Vou guardar essa memória para sempre.”

Os dois regressaram a Chicago para a última noite, celebrando o Dia de Ação de Graças, e cancelaram o segundo quarto no histórico Drake Hotel.

“O jantar de Ação de Graças no Drake Hotel em Chicago é um banquete luxuoso e caro. A Gosia estava deslumbrante e eu usei o meu melhor fato”, recorda Hank.

Parecia o início de algo incrível.

“Mas ainda assim eu não tinha a certeza de que pudesse resultar, porque eu não ia mudar-me”, confidencia Gosia. “Tinha os meus pais, queria cuidar deles… Pensava: ‘A distância é demasiado grande para isto continuar.'”

A atitude mais pragmática de Gosia não foi suficiente para travar o romantismo de Hank. Ele sabia que tinham algo especial, algo que valia a pena enfrentar todas as dificuldades logísticas para tornar realidade. A certeza dele ajudou Gosia a afastar os receios.

“Ele estava incrivelmente determinado”, afirma ela. “Então, de dois em dois meses eu viajava para os Estados Unidos e o Hank, quando tinha tempo livre da escola, vinha à Polónia.”

Um dia, Gosia telefonou a Hank enquanto ele estava a dar aulas.

“Adoro os meus alunos, adoro mesmo, e adoro ensinar”, conta Hank. “Estávamos na aula, e a Gosia enganou-se na hora e ligou-me. Eu disse-lhes: ‘É uma senhora com quem estou a sair…'”

Os alunos disseram-lhe que tinha de atender. Seria rude deixar a namorada à espera.

“Então pus em alta-voz, e lá estava ela, à frente de 30 alunos. E ouvi-os dizer: ‘Meu Deus, ela é linda.’ Espalhou-se por toda a escola.”

Com as viagens de um lado para o outro, a relação de Hank e Gosia cresceu. Apoiaram-se mutuamente, juntos e separados, nos problemas familiares, nos altos e baixos do trabalho e em tudo o resto.

Um casamento cancelado

Em 2017, Hank pediu Gosia em casamento. Mas apesar de ter a certeza de que amava Hank, Gosia hesitou antes de aceitar.

“Nunca quis casar, por isso estava assustada”, confessa.

Embora tenha aceitado o pedido, à medida que a data do casamento se aproximava, Gosia continuava indecisa.

Hank planeou uma pequena cerimónia em casa de um velho amigo da faculdade. Organizou tudo, mantendo Gosia informada à distância.

“Já tinha a pessoa que ia realizar a cerimónia, as flores, o bolo encomendado”, recorda.

Mas uma semana antes, Gosia cancelou tudo. Continuava a querer estar com Hank, mas não conseguia reconciliar-se com os seus sentimentos em relação ao casamento enquanto instituição. E, tendo sido independente durante tanto tempo, tinha medo de se comprometer.

Hank ficou de coração partido.

“Ele não me falou durante dois ou três dias”, lembra Gosia. “E durante esses dois ou três dias percebi: ‘Isto acabou.’ Porque compreendi que, quando magoamos alguém assim, acabou mesmo.”

Durante esses dias de silêncio, as palavras “isto acabou” ecoavam constantemente na cabeça de Gosia. Sentia angústia. A ideia de Hank deixar de fazer parte da sua vida era devastadora.

“Percebi que me importava realmente com esta relação”, afirma.

Entretanto, Hank vivia a sua própria crise emocional. Sentia-se magoado pela decisão de Gosia, que lhe pareceu uma rejeição dele e de tudo o que tinham construído. Era difícil imaginar como poderiam recuperar.

“Descobri que ainda podia ser magoado, mesmo à minha idade, e foi duro”, refere. “Tive de ligar aos meus amigos e dizer: ‘Não vamos casar. Cancelem tudo.'”

Mas também era difícil para Hank imaginar a vida sem Gosia. Não queria perdê-la totalmente.

“Passados dois dias, disse: ‘Está bem, quero-te na minha vida como amiga'”, recorda. “Voltámos a ser amigos.”

Hank tentou reajustar-se a um futuro em que Gosia teria um papel diferente na sua vida. Entretanto, Gosia confrontava-se com a dimensão dos sentimentos que tinha por ele. Sentia mais saudades de Hank do que nunca, sem saber quando o voltaria a ver.

“Descobri que me importava realmente com esta relação”, conta. “Já estava apaixonada. Mas percebi que o amava e queria estar com ele no momento em que ele deixou de me falar.”

Assim, poucas semanas depois, Gosia contactou Hank e disse-lhe que queria ficar com ele, que afinal deviam casar.

E alguns meses mais tarde casaram-se, na casa de Hank em Waldron, Indiana.

“O celebrante era um amigo. Os meus alunos vieram, e depois fizemos uma pequena festa com os professores da minha escola”, recorda Hank. “O meu filho, Adam, veio, e foi um casamento muito, muito bonito.”

Após o casamento, Gosia incorporou o apelido de Hank no seu próprio nome, tornando-se Malgorzata Wróblewska-Nuwer.

Inicialmente, o casal pensou continuar a vida entre continentes. Talvez Hank se mudasse para a Polónia. Mas os pais de Gosia faleceram, infelizmente, com poucos meses de diferença. Então ela fez as malas e mudou-se definitivamente para o Indiana para viver com o novo marido.

Um novo capítulo juntos

Aqui estão Hank e Gosia no dia do casamento, em 2017. Foi “um casamento muito, muito bonito”, segundo Hank.

Viver juntos exigiu alguma adaptação de ambos.

“Cada um de nós era totalmente independente”, afirma Gosia. “Tínhamos hábitos próprios, e não é fácil viver juntos, sabe? Por isso discutíamos.”

“Mas nunca íamos dormir sem resolver a situação”, acrescenta Hank.

Decidiram criar uma palavra-código para terminar discussões: “Pinguim.”

“Se uma pessoa dizia ‘Pinguim’, a discussão acabava. Sem mais discussão. Já não usamos essa palavra há uns seis anos – porque não discutimos há seis anos. Portanto, acabou-se o ‘pinguim'”, refere Gosia, entre risos.

Durante a pandemia, Hank deixou o trabalho universitário.

“Decidi durante a Covid que ensinar por Zoom não era compatível com um grande ensino”, explica. “Adoro ensinar, mas também adoro jornais.”

Começou a trabalhar como editor num jornal do Ohio, deslocando-se para a cidade de Celina. Depois, em 2022, aceitou um novo cargo num jornal do Alasca. Sempre adorou visitar o estado do norte e ele e Gosia decidiram começar um novo capítulo juntos na cidade de Fairbanks. Mais tarde, Hank começou também a ensinar, em part-time, na Universidade do Alasca em Fairbanks. Gosia trabalha localmente como contabilista.

“Gostamos das mesmas coisas e ambos estamos abertos a novos desafios”, explica Gosia. “É por isso que estamos no Alasca.”

O casal também tem uma cabana na Polónia, que visita no verão, onde passa tempo com a filha de Gosia, Natalia. Dizem que Natalia teve algumas reservas sobre a relação à distância no início, mas agora tem uma ligação muito próxima com Hank. Aproximaram-se graças ao interesse comum pela carreira académica.

“São como filha e pai”, afirma Gosia.

“Somos muito próximos”, concorda Hank.

Gosia também se aproximou do filho de Hank, Adam, que a transformou numa entusiasta de jogos de tabuleiro.

“A vida é imprevisível”

Hoje, Gosia chama “destino” ao encontro com Hank. O capítulo inesperado que viveram juntos mostra como “a vida é imprevisível”, considera. (Natalia Wróblewska)

Já passaram mais de dez anos desde o primeiro dia que Hank e Gosia passaram juntos em Varsóvia. Hoje, Gosia chama ao encontro “destino”.

Mas esclarece: “Destino não significa que possamos simplesmente ficar sentados à espera de alguma coisa. Há sempre algo no nosso caminho. Depende apenas da forma como o aproveitamos. Ou da nossa reação.”

Os dois atribuem um ao outro o mérito de terem despertado o melhor de si próprios.

“Nunca conheci um homem como o Hank, com quem me sinto tão confortável”, afirma Gosia, que ainda usa a pulseira de tornozelo oferecida por Hank naquela decisiva viagem a Chicago.

“Ele apoia-me. Tenta apoiar-me em tudo. Isso é realmente incrível… Ele é muito paciente. Mudou-me.”

“A Gosia deu-me muita confiança”, refere Hank. “Há muito tempo fui estudar representação para o Shakespeare Institute e atuei durante algum tempo. Depois deixei de representar durante 48 anos. E agora, no Alasca, participámos em 10 peças de teatro comunitário em menos de dois anos… Nunca teria feito isso sem a Gosia me dar coragem para tentar nesta idade.”

Gosia junta-se ocasionalmente ao marido em palco, mas normalmente trabalha nos bastidores, apoiando-o.

Destino não significa que possamos simplesmente ficar sentados à espera de alguma coisa. Há sempre algo no nosso caminho. Depende apenas da forma como o aproveitamos. Ou da nossa reação” – Gosia sobre conhecer Hank

O casal também trabalha em conjunto numa coluna para um jornal do Alasca, o Cordova Times. Não vivem em Cordova, mas gostam de colaborar remotamente com o jornal. Hank escreve os textos e Gosia tira as fotografias. Hank diz que isso simboliza a forma como funcionam em equipa na vida. Também adoram planear viagens juntos e estão atualmente entusiasmados com futuras aventuras no Havai e em Belize.

“Os nossos amigos referem-se a nós como ‘GosiaandHank’ – uma só palavra – e juntos somos um farol de alegria”, conta Hank. “Damos um ao outro 100% de independência, mas juntos ela tornou-me uma pessoa melhor, alguém que explora os sentimentos como nunca antes. E apesar de sermos um só ‘feixe de luz’, nunca me senti tão livre, focado, desinibido e feliz na vida.”

Para Hank e Gosia, encontrar o amor um pouco mais tarde na vida foi um capítulo inesperado e feliz. Dizem que a história deles prova que nunca sabemos o que está ao virar da esquina e que, quando a felicidade aparece, devemos agarrá-la de coração aberto.

“Nunca quis casar porque não acho que alguma vez tenha estado verdadeiramente apaixonada antes”, afirma Gosia. “A minha mensagem para todos é esta: a vida é imprevisível e, se o amor tiver de chegar, chegará no momento certo; só é preciso coragem e abertura para novos desafios.”

“A minha mensagem para qualquer pessoa – com mais de 60 anos e divorciada – é que existe alguém certo algures”, completa Hank. “Só não procurem amor. Procurem aventuras em lugares onde quase não se atrevem a ir. Afastem os vossos medos e talvez encontrem um companheiro de viagem que também não anda à procura de amor.”

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