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PJ ajuda a localizar 45 crianças ucranianas transferidas à força para a Rússia

Investigação internacional contou com a colaboração portuguesa na identificação de pistas através de fontes abertas e redes sociais.

A Polícia Judiciária (PJ) colaborou na identificação e localização de 45 crianças que foram transferidas à força para territórios controlados pela Rússia. Segundo um comunicado da PJ, a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) participou numa operação de pesquisa em fontes abertas, inserida numa investigação coordenada pela Europol e pelas autoridades dos Países Baixos.

O esforço conjunto permitiu localizar os menores em territórios temporariamente ocupados na Ucrânia, bem como na própria Rússia e na Bielorrússia.

“A participação portuguesa permitiu identificar cinco pistas investigativas, nomeadamente através da análise de redes sociais, fotografias e potenciais ligações a escolas, que serão agora sujeitas a validação e cruzamento de informação pelas autoridades competentes”, refere o comunicado oficial.

O contexto da operação

A iniciativa decorreu nos dias 16 e 17 de abril, em Haia (Países Baixos), integrando uma operação de larga escala que visa determinar o paradeiro de cerca de 19.500 crianças desaparecidas na Ucrânia desde o início do conflito, suspeitando-se de transferência forçada para zonas sob domínio russo.

A PJ indica que, enquanto algumas crianças terão sido adotadas por famílias russas, muitas outras permanecem retidas em campos de reeducação ou em unidades de saúde.

Dados recolhidos pela investigação

No total, foram elaborados 45 relatórios com informações fidedignas que visam apoiar a localização dos menores. Estes documentos detalham:

  • Logística: Rotas de transporte utilizadas nas deslocações forçadas;

  • Intervenientes: Identificação de facilitadores (incluindo diretores de orfanatos) e famílias recetoras;

  • Apoio Militar: Unidades russas que auxiliaram na condução das crianças ou onde algumas poderão estar a combater;

  • Instalações: Identificação de campos ou instituições de acolhimento;

  • Meios Digitais: Plataformas que exibem fotografias e dados destas crianças.

A operação contou com a participação de 40 especialistas de 18 países, do Tribunal Penal Internacional e de várias organizações não governamentais. O trabalho baseou-se em metodologias OSINT (Open Source Intelligence), recorrendo exclusivamente a meios digitais e análise de dados públicos.

Redação com CNNPORTUGAL