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PJ faz buscas na Águas de Gaia. Ex-diretor detido por corrupção

A Polícia Judiciária está, esta terça-feira de manhã, a realizar buscas na empresa municipal Águas de Gaia. Um ex-diretor da empresa pública e outros 12 suspeitos, entre eles empreiteiros e funcionários da empresa pública, foram detidos por suspeitas de corrupção, abuso de poder e lavagem de dinheiro. Há oito milhões de euros em obras sob suspeitas.

Em causa está um esquema de viciação de contratos públicos que altos quadros, funcionários e empresários terão posto em prática desde 2024 até aos dias de hoje.

Os inspetores estão a recolher documentação e equipamentos informáticos não só nas instalações da Águas de Gaia mas também nas residências dos suspeitos. Um ex-diretor ligado ao departamento de abastecimento foi detido por suspeitas de corrupção e, de acordo com informações recohidas pelo JN, será uma peça central da investigação da PJ e do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto.

“Os factos indiciados revelam que os intervenientes estabeleceram, ao longo do tempo, um quadro relacional estável, funcionalmente orientado para a manipulação do processo decisório administrativo, no qual a contratação pública foi instrumentalizada como meio de obtenção de vantagens patrimoniais e não patrimoniais ilegítimas, com existência de práticas reiteradas e coordenadas destinadas a condicionar decisões, moldar procedimentos, antecipar resultados e neutralizar mecanismos de controlo, através da utilização de canais informais de comunicação, da exploração de relações funcionais e pessoais e da criação de expectativas de benefício futuro”, explicou a PJ em comunicado.

Desde 2024, o valor total de obras sob suspeita representa oito milhões de euros.

Almoço, dinheiro e viagens

O esquema passaria pela contratação de obras fictícias ou inflacionadas, sempre realizadas pelo mesmo grupo de empreiteiros. Em troca, alguns funcionários terão recebido dinheiro, almoços e viagens.