O presidente e diretor-executivo do Fórum Económico Mundial, Børge Brende, renunciou, esta quinta-feira, ao cargo após a organização abrir uma investigação interna sobre os seus contactos passados com o empresário e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Após mais de oito anos no cargo, Brende afirmou que a decisão foi tomada após “cuidadosa reflexão”. “Sou grato pela incrível colaboração com os meus colegas, parceiros e membros, e acredito que agora é o momento certo para o Fórum continuar o seu importante trabalho sem distrações”, disse Brende, num comunicado citado pela “Euronews”.
Brende, ex-ministro dos Negócios Estrangeiro da Noruega, que liderou o Fórum Económico Mundial desde 2017, vai ser substituído por Alois Zwinggi, que será o presidente e diretor-executivo interino enquanto o conselho gere a transição de liderança. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, tem sido amplamente vista como uma potencial futura presidente após a saída do fundador do Fórum Económico Mundial, Klaus Schwab, no ano passado.
Nega conhecer atividades criminosas de Epstein
O Fórum Económico Mundial iniciou a investigação no início deste mês, depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado um grande lote de arquivos relacionados com Epstein, o que atraiu um novo escrutínio nos círculos empresariais e políticos globais. Ao longo dos anos, diversas figuras de destaque apareceram nas trocas de emails, agendas de contactos, registos de voos e outros documentos de Epstein. Em muitos casos, os nomes citados negaram publicamente qualquer irregularidade.
O fórum não detalhou a natureza dos contactos de Brende com Epstein.
Por seu lado, segundo o jornal francês “Le Monde”, Brende afirmou, num comunicado no início deste mês, que, durante uma visita a Nova Iorque em 2018, recebeu um convite jantar com o antigo vice-primeiro-ministro norueguês Terje Rod-Larsen e vários outros líderes, bem como com “alguém que me foi apresentado como investidor americano, Jeffrey Epstein”. “No ano seguinte, participei em dois jantares semelhantes com Epstein, juntamente com outros diplomatas e líderes empresariais. Estes jantares, além de alguns emails e mensagens de texto, foram toda a minha interação com ele”, explicou. “Desconhecia completamente o passado e as atividades criminosas de Epstein”. Garantiu que, se soubesse do passado de Epstein, teria recusado o convite para o jantar e quaisquer outros convites ou comunicações subsequentes. Brende disse ainda reconhecer que poderia ter conduzido uma investigação mais completa sobre o historial de Epstein e lamentou não o ter feito.
Agência JN.PT






