O jovem de 18 anos acusado de instigar massacres em escolas brasileiras remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento, no Tribunal da Feira.
De acordo com fonte ligada ao processo, o arguido optou por não prestar declarações perante o coletivo de juízes. Como alternativa, estão a ser reproduzidas as declarações dadas pelo jovem aquando do primeiro interrogatório judicial, após a sua detenção em maio de 2024.
Por estarem em causa crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual, a audiência decorre com exclusão de publicidade (à porta fechada), sem a presença de público ou da comunicação social.
Um extenso rol de crimes O arguido, que se encontra em prisão preventiva, responde por um vasto conjunto de crimes graves:
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Homicídio e violência: Instigação a um crime de homicídio qualificado, seis tentativas de homicídio e três crimes de morte e maus-tratos a animais de companhia.
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Criminalidade online: Associação criminosa, 224 crimes de pornografia de menores (18 dos quais agravados) e incitamento ou ajuda ao suicídio.
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Ódio e coação: Discriminação e incitamento ao ódio e à violência, além de quatro crimes de coação agravada.
O “Modus Operandi” no Discord O jovem, residente em Santa Maria da Feira, é suspeito de liderar uma comunidade na plataforma Discord, onde incitava adolescentes a praticar e transmitir em direto atos de extrema violência contra terceiros, animais e contra si próprios.
Entre os episódios relatados, destaca-se a instigação ao Massacre de Sapopemba, em São Paulo, onde um jovem de 16 anos matou uma colega e feriu outros três estudantes em outubro de 2023. Outros três ataques planeados, envolvendo menores entre os 12 e os 14 anos, foram travados pelas autoridades antes da sua execução.
Controlo e Hierarquia Segundo a acusação do Ministério Público, o arguido utilizava o grupo para planear crimes, incluindo o homicídio de um sem-abrigo e atos de automutilação. O objetivo dos seguidores seria obter o reconhecimento do jovem para “subir na hierarquia” da comunidade virtual.
O processo revela ainda contornos de chantagem: várias menores terão sido coagidas a praticar atos violentos após terem sido enganadas para o envio de fotografias íntimas. O arguido é também acusado de difundir conteúdos de cariz nazi e mensagens de ódio dirigidas a pessoas negras e homossexuais.
Redação com Lusa






