Search
Close this search box.

Seis séculos de história: La Moncloa acolhe homenagem ao povo cigano

No passado sábado, o Palácio da Moncloa foi palco de uma cerimónia de homenagem ao povo cigano, assinalando o encerramento das comemorações dos 600 anos da sua chegada a Espanha. O evento foi presidido por Pedro Sánchez, que contou com a presença de ativistas, artistas e diversos representantes da comunidade.

A cerimónia teve início com uma interpretação do hino cigano, “Gelem, gelem”, pela voz de Lela Soto e pela guitarra de Diego del Morao. A partir desse momento, o tom do evento aliou a exaltação cultural à reivindicação de direitos.

Carmen Santiago, vice-presidente do Conselho Estatal do Povo Cigano, foi uma das vozes mais marcantes da noite. “A nossa história não consta nos manuais escolares”, afirmou, descrevendo o percurso do seu povo como uma sucessão de episódios de perseguição e resistência, transmitidos de geração em geração à margem das instituições. Santiago apelou a que o ato não fosse apenas uma celebração, mas também um lembrete dos direitos e conquistas ainda pendentes. No plano musical, Israel Fernández homenageou Camarón de la Isla, acompanhado por Del Morao, Ane Carrasco (cajón) e pelas palmas de Marcos Carpio e Ángel Moreno ‘Pirulo’.

Condecorações a figuras do Flamenco e Ativistas

O evento incluiu a atribuição das ordens de Afonso X, o Sábio e de Mérito Civil a cinco personalidades cujas trajetórias marcaram a cultura e a luta pelos direitos da comunidade. A escritora Noelia Cortés, que conduziu a cerimónia, apresentou os galardoados como figuras que “fizeram história social e cultural”.

Entre os distinguidos contam-se o guitarrista Pepe Habichuela, a estilista Juana Martín e Lolita Flores (cuja medalha foi recolhida pela filha, Elena Furiase). Foi também condecorado Juan de Dios Ramírez Heredia, o primeiro deputado cigano no Congresso dos Deputados e figura central na história política da minoria em Espanha.

A lista de premiados completou-se com Emilio Fernández de los Santos, conhecido como “Caracafé” — guitarrista e impulsionador da Fundação Alalá, que apoia menores em risco de exclusão — e Teresa Peña, “La Lebrijana”, comunicadora dedicada à divulgação do flamenco e irmã do icónico músico El Lebrijano.

 

Um encerramento institucional com uma dívida pendente

A homenagem na Moncloa encerrou um ano de celebrações através das quais Espanha procurou reconhecer publicamente o contributo cigano para a identidade do país. Contudo, os discursos proferidos deixaram claro que o simbolismo, por si só, é insuficiente.

A comunidade cigana continua a registar algumas das taxas de exclusão social mais elevadas do país, facto sublinhado de forma direta pelos próprios homenageados. O evento serviu, assim, como celebração e exigência: que seis séculos de história partilhada se traduzam, finalmente, numa igualdade efetiva.

Redação com pt.euronews