Há dois anos, os duques de Huéscar iniciaram uma viagem para interpretar o património da Casa de Alba através do olfato. Hoje, alcançam o seu destino com a marca de fragrâncias Fitz-James Stuart: quatro aromas de estreia assinados pelo prestigiado “nariz” espanhol Alberto Morillas. Sofía Palazuelo apresenta o projeto à YO DONA a partir do emblemático Palácio de Liria.
Um total de dez esfinges habitam o Palácio de Liria desde o século XVIII. Seis destas criaturas mitológicas guardam a entrada para o oásis inesperado que são os jardins da mansão da Casa de Alba, em pleno bulício madrileno; outras quatro vigiam a escadaria do jardim traseiro, de estilo francês, projetado pelo paisagista Forestier.
Recentemente, a estas dez esfinges juntaram-se quatro “irmãs”: estes seres fantásticos, com corpo de leão e rosto de mulher, decoram agora os rótulos dos frascos da Fitz-James Stuart, a nova casa de alta perfumaria fundada pelos duques de Huéscar, Fernando Fitz-James Stuart e a sua mulher, Sofía Palazuelo. A própria duquesa recebeu a imprensa num palácio fechado ao público, numa tarde soalheira de fevereiro, para apresentar este projeto olfativo — uma viagem íntima pela história, memória e património familiar.

Dos de las 10 esfinges que habitan el Palacio de Liria.
O que não se vê: a essência de uma casa
Antes de iniciar o roteiro pelos quatro cantos do Palácio de Liria que inspiraram os perfumes, Sofía Palazuelo introduz a marca: “Há dois anos começámos a dar forma a este desafio: reinterpretar o legado da Casa de Alba através do perfume, uma linguagem capaz de evocar emoções e preservar memórias de maneira única.”
A primeira paragem desta visita olfativo-cultural acontece perante uma escultura que, como admite a duquesa, passa muitas vezes despercebida: La hora nocturna, de Joseph Michel-Ange Pollet. É desta obra que nasce o nome e a inspiração para o primeiro eau de parfum. Para lhe dar vida, contaram com o “melhor amigo” do casal nos últimos dois anos: o mestre perfumista Alberto Morillas. “Ele foi um membro da família; teve muito a dizer e a opinar… fez um trabalho belíssimo e muito especial”, confessa Sofía.

Rosario Falcó, la tatarabuela del duque de Huéscar, cuya figura se homenajea en el perfume ‘No time for roses’.D.R.
Quatro coleções, quatro histórias
O primeiro capítulo da Fitz-James Stuart é composto por quatro fragrâncias genderless (unissexo) que se dividem por quatro eixos: Masterpieces, Spaces, Personalities e Botanicals.
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Masterpieces (La hora nocturna): Recreia a escultura de Pollet. Se o mármore é a pedra angular da obra, a esteva (jara) — planta tipicamente ibérica — é a alma deste aroma. Notas de bergamota, pimenta rosa e jasmim compõem este chipre moderno que interpreta o poder silencioso da noite.
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Spaces (Unseen 1785): Inspirado nos recantos menos conhecidos do palácio — a biblioteca, as tapeçarias, as madeiras e os documentos antigos. Com uma saída radiante de pimenta preta e limão, evolui na pele para um fundo amadeirado de couro e cipriol. Curiosamente, a duquesa confessa, entre risos, um “pequeno problema” doméstico: “O Fernando usa-o imenso, e eu já não o posso usar tanto… é desanimador cheirarmos os dois ao mesmo!”
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Personalities (No Time For Roses): Uma homenagem a Rosario Falcó, trisavó do duque e figura crucial na catalogação do arquivo histórico da família. “Adoro-a; foi uma mulher disruptiva que se envolveu no trabalho de arquivo num século em que as mulheres eram relegadas para segundo plano. A minha filha tem o nome dela em sua honra”, revela Palazuelo. O perfume evoca o cheiro das rosas sem as utilizar na composição, recorrendo ao cedro, gerânio e sândalo.
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Botanicals (Quince días de abril): Inspirado numa pérgula de glicínias que apenas floresce durante duas semanas por ano. Alberto Morillas visitou o jardim precisamente nesses quinze dias para capturar essa natureza efémera. É um floral almiscarado com notas de chá, bergamota e fava tonka. É, até à data, o best-seller da marca: “É um perfume para todos os dias, as pessoas adoram.”

- La pérgola que florece en abril, inspiración para ‘Quince días de abril’.D.R.
As guardiãs do legado
Ao terminar o passeio pelos jardins, as esfinges que custodiam a escadaria surgem em todo o seu esplendor. “São as guardiãs do jardim e da coleção; recebem-nos à entrada e convidam-nos a conhecer o que está lá dentro. Por isso as resgatámos para o logótipo da marca: elas são o convite para descobrir estes perfumes”, conclui a duquesa de Huéscar.
Redação com elmundo






