O principal arguido num processo de burla informática, conhecido pelo esquema “Olá pai, olá mãe”, defendeu-se ontem em tribunal, alegando que a sua intervenção se limitava à disponibilização de cartões de telemóvel a uma alegada empresa virtual. O homem, acusado de lesar dezenas de vítimas através do WhatsApp, garante que desconhecia o fim criminoso das comunicações.
Perante o coletivo de juízes, o arguido explicou que o seu papel era meramente logístico. Segundo o próprio, terá sido contactado por uma entidade que operava online para fornecer cartões SIM ativos, recebendo uma comissão por cada unidade entregue. “Limitava-me a disponibilizar os cartões; nunca enviei mensagens nem pedi dinheiro a ninguém”, afirmou durante a audiência.
A acusação do Ministério Público sustenta, no entanto, que o arguido faria parte de uma rede organizada que enviava milhares de mensagens fraudulentas. Nestas missivas, os burlões faziam-se passar por filhos das vítimas, alegando ter um novo número de telemóvel e solicitando transferências bancárias urgentes, via MB Way ou entidade e referência, para o pagamento de contas fictícias.
O julgamento prossegue com a inquirição de testemunhas e a análise de prova pericial informática, que tentará determinar se o rasto digital liga diretamente o computador do arguido ao envio das mensagens de extorsão.
Redação






