O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, ameaçou enviar os porta-aviões norte-americanos para o “fundo do mar”, numa altura em que se iniciam em Genebra negociações cruciais para evitar um conflito em larga escala. A retórica inflamada de Teerão surge após Donald Trump ter ordenado o envio de um segundo grupo de combate naval para o Golfo Pérsico.
“Dizem constantemente que enviaram um porta-aviões contra o Irão”, afirmou Khamenei. “Muito bem, um porta-aviões é certamente uma máquina perigosa, mas mais perigosa do que o navio é a arma que o pode afundar.”
Bloqueio no Estreito de Ormuz e Pressão Militar
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou esta manhã o plano para encerrar o Estreito de Ormuz durante várias horas para exercícios com munições reais. Esta é a primeira vez que este ponto estratégico de escoamento de petróleo é bloqueado desde a “guerra dos petroleiros” na década de 1980.
A ameaça coincide com a entrada do porta-aviões USS Gerald R. Ford no Mediterrâneo, a caminho do Médio Oriente, para se juntar ao USS Abraham Lincoln. Juntas, estas forças conferem aos EUA uma capacidade de ataque aéreo sem precedentes contra território iraniano.
Negociações em Genebra: O fator Trump
Apesar da agressividade verbal, o xadrez diplomático move-se na Suíça. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, encontra-se em Genebra para uma segunda ronda de negociações indiretas com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, sob mediação de Omã.
Donald Trump, que acompanha as negociações a partir do Air Force One, mostrou-se cautelosamente otimista, embora sem abdicar da pressão: “Não creio que eles queiram as consequências de não chegar a um acordo”, afirmou o Presidente dos EUA, recordando os ataques norte-americanos a instalações nucleares iranianas no verão passado com bombardeiros furtivos B-2.
Divisões Internas e Exigências de Israel
Analistas sugerem que a dureza de Khamenei visa o público interno. Com o sistema político iraniano dividido e o país ainda a recuperar da repressão aos protestos de janeiro, o líder supremo precisa de demonstrar força para justificar eventuais concessões em Genebra.
Por outro lado, a administração Trump enfrenta a pressão de Israel e de vários senadores em Washington. Além da questão nuclear, os EUA exigem:
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Limites ao stock de mísseis balísticos iranianos;
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O fim do financiamento a grupos terroristas na região;
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O cumprimento estrito do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
Geopolítica Global
Aproveitando a estada em Genebra, os negociadores norte-americanos mantêm também contactos com delegações russas para discutir a guerra na Ucrânia. Steve Witkoff foi visto em reunião com Jonathan Powell, conselheiro de segurança nacional do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sublinhando a densidade da agenda diplomática na capital suíça.
Embora o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão considere que a posição de Washington se tornou “mais realista”, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, alertou, a partir da Hungria, que alcançar um entendimento será “muito difícil”.
Redação com telegraph.co.uk/world-news






